Israel bombardeia Líbano mesmo após anúncio de cessar-fogo. A ofensiva aérea foi mantida por Tel Aviv em 8 de abril de 2026, atingindo mais de 100 alvos em todo o território libanês, inclusive a capital Beirute, apesar de um acordo de cessar-fogo de duas semanas anunciado por Irã e Estados Unidos.
Maior ataque desde o início de março
De acordo com a Força de Defesa de Israel (FDI), a ação representou o maior bombardeio realizado no Líbano desde 2 de março, quando a fase atual do conflito começou. Em comunicado, o Estado-Maior israelense informou ter mirado centros de comando e instalações militares do Hezbollah em Beirute, Beqaa e no Sul do país.
Impacto humanitário
Dados do Ministério da Saúde libanês apontam que, desde 2 de março, mais de 1,5 mil pessoas morreram e cerca de 4,8 mil ficaram feridas. Além disso, 93 unidades de saúde foram danificadas e 57 profissionais de saúde perderam a vida. O número de deslocados ultrapassa 1 milhão de residentes.
Repercussão internacional e negociações em risco
Os bombardeios ocorrem às vésperas de negociações diretas entre Teerã e Washington, agendadas para 10 de abril em Islamabad, no Paquistão. O Irã incluiu, entre os dez pontos da pauta, o fim das hostilidades em todas as frentes do Oriente Médio, o que abrange o Líbano e a Faixa de Gaza. Analistas temem que a escalada israelense comprometa o diálogo. A agência Reuters observou que a continuidade dos ataques pode ampliar a tensão regional.
Posição de Israel
O chefe do Estado-Maior israelense, tenente-general Eyal Zamir, sustentou que as operações contra o Hezbollah continuarão “enquanto houver ameaça ao norte de Israel”. Segundo Zamir, o governo considera ocupar a faixa até o rio Litani – cerca de 30 km além da fronteira atual –, gerando acusações de tentativa de anexação semelhante à efetivada nas Colinas de Golã.
Resposta do Hezbollah
Em nota divulgada na mesma data, o Hezbollah orientou moradores de áreas despovoadas pela guerra a não retornarem antes de um anúncio formal de cessar-fogo, citando risco de “investidas traiçoeiras” de Israel. Embora o grupo não reivindique ações ofensivas desde o anúncio do cessar-fogo mediado por Irã e EUA, fontes ouvidas pela Agência Brasil afirmam que a milícia xiita destruiu mais de 100 tanques israelenses por meio de drones e mísseis desde março.
Raízes do conflito
O embate entre Israel e Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia foi criada durante a ocupação israelense no Líbano. Expulsas em 2000, as tropas de Tel Aviv voltaram a se confrontar com o grupo em 2006, 2009, 2011 e, mais recentemente, a partir de 2023, após a ofensiva israelense na Faixa de Gaza. O Hezbollah justificou a atual escalada como solidariedade aos palestinos e tentativa de sobrecarregar as defesas israelenses.
Desde novembro de 2024, vigora um entendimento frágil que reduziu temporariamente os ataques, mas a FDI seguiu realizando incursões pontuais sob a alegação de atingir infraestrutura do Hezbollah. A morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, atribuída a Israel, reacendeu a violência em março de 2026.
Embora o cessar-fogo anunciado por Irã e EUA tenha sido recebido como alívio diplomático, a continuação dos bombardeios israelenses ameaça prolongar uma crise humanitária que já dura décadas.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
