Investigação apresenta documentos e depoimentos que detalham o pagamento de R$ 1 milhão ao filme Lula, o Filho do Brasil. A apuração começou após dúvidas sobre outro projeto em maio de 2026 e ouviu fontes, advogados e produtores.
Em reportagem publicada em 21/10/2026, o autor relata uma apuração sobre o financiamento de produções cinematográficas envolvendo ex-presidentes da República, com atenção especial ao repasse de R$ 1 milhão destinado ao filme Lula, o Filho do Brasil.
O jornalista descreve que iniciou investigação detalhada após surgirem questionamentos sobre outro projeto audiovisual mencionado na imprensa em maio de 2026. A apuração incluiu entrevistas com fontes diretamente envolvidas, advogados, representantes de produção e profissionais do setor de financiamento audiovisual, além de levantamento documental para confrontar versões distintas.
Ao aprofundar a investigação, o autor diz ter encontrado elementos sobre o financiamento de dois filmes que tratam de ex-presidentes: um sobre Lula e outro sobre Michel Temer. No caso do filme Lula, o pagamento de R$ 1 milhão partiu, segundo a apuração, do Grupo Schahin e foi feito por meio de operação envolvendo a produtora Intervídeo, fundada por Roberto D’Ávila.
O texto recupera dados da produção de 2009: a cinebiografia Lula, o Filho do Brasil, dirigida por Fábio Barreto, teve orçamento divulgado na época superior a R$ 17 milhões. Aplicada a correção pela inflação oficial até setembro de 2026, esse valor corresponderia a aproximadamente R$ 43,4 milhões. Os produtores chegaram depois a informar um custo final de R$ 12 milhões.
Sobre o repasse de R$ 1 milhão, a reportagem cita informações prestadas em 2019 pelo ex-ministro Antonio Palocci, nas quais ele afirma que o empresário Milton Schahin o procurou em 2008 para tratar de interesses ligados à renovação de um contrato de operação de navio-sonda com a Petrobras. Segundo Palocci, teria surgido a possibilidade de contribuição financeira da Schahin e ele indicou que R$ 1 milhão fossem direcionados à produção da cinebiografia.
O autor destaca que Roberto D’Ávila confirmou, em janeiro de 2019, o recebimento dos recursos da Schahin pela produtora. Segundo essa confirmação, o pagamento teria sido efetuado mediante contrato e nota fiscal, e o acordo previa a produção de dois vídeos institucionais para a empreiteira que, conforme informado, não chegaram a ser produzidos. Também foi indicado que a Schahin havia solicitado que seu nome não constasse nos créditos do filme.
A reportagem ressalta a distinção entre o reconhecimento do pagamento e a acusação de que ele teria constituído contrapartida ilícita. Essa acusação foi apresentada por meio de delação, e, segundo o autor, exige comprovação independente antes de ser tratada como uma conclusão judicial. O texto sublinha ainda a necessidade de aplicar critérios equivalentes de investigação a diferentes produções e lembra o impacto sobre pessoas e reputações quando suspeitas são divulgadas sem provas definitivas.
