Apagões em Havana expõem pior crise energética de Cuba. A capital cubana enfrenta cortes de luz de até 12 horas, elevação de preços e colapso do transporte público, quadro que moradores consideram o mais grave desde a década de 1990.
Apagões prolongados afetam serviços essenciais
Os apagões em Havana deixaram de seguir horários fixos e agora acontecem de modo imprevisível. A arquiteta Ivón B. Rivas Martinez, 40 anos, relata que as interrupções, antes limitadas a quatro ou cinco horas diárias, passaram a durar metade do dia. Sem eletricidade, bombas d’água, caixas eletrônicos e cartórios param, dificultando rotinas básicas.
Preços de alimentos disparam com embargo mais rígido
O endurecimento do embargo energético dos Estados Unidos, anunciado no fim de janeiro de 2026, reduziu ainda mais a entrada de combustíveis na ilha. Com cerca de 80% da matriz baseada em termelétricas, a escassez pressiona o custo de itens básicos. “Arroz, óleo e frango encareceram num ritmo que nunca vi”, afirma Ivón.
Moradores comparam crise atual ao “período especial”
O economista aposentado Feliz Jorge Thompson Brown, 71 anos, viveu o período especial dos anos 1990, quando a União Soviética deixou de apoiar Cuba. Para ele, o momento presente é mais severo, material e espiritualmente. “O Estado já não consegue garantir integralmente a cesta básica subsidiada”, explica.
Transporte público e mobilidade em colapso
A falta de diesel e gasolina reduziu linhas de ônibus urbanos a uma viagem pela manhã e outra à tarde. Trens interprovinciais, que circulavam a cada quatro dias, agora partem semanalmente. “A oferta caiu pela metade”, calcula Feliz Jorge. O transporte privado também subiu de preço, tornando-se inviável para a maioria.
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Impacto na saúde e na educação
Com médicos enfrentando os mesmos problemas de deslocamento, consultas eletivas foram canceladas e a prioridade passou a ser o atendimento de emergência. Além disso, farmácias sofrem com escassez de remédios para doenças crônicas e saúde mental. Apesar disso, escolas próximas às residências seguem abertas, e centros culturais mantêm aulas de música gratuitas, como a frequentada pelo filho de Ivón.
Embargo dos EUA amplia tensão política
Washington justificou a medida ao classificar Cuba como “ameaça incomum” por seu alinhamento com Rússia, China e Irã. Segundo analistas entrevistados pela BBC, as novas sanções miram o enfraquecimento econômico do governo cubano, mas acabam afetando diretamente a população. Para Ivón, “o discurso de ajuda é contraditório: quem sofre é o povo”.
Perspectivas e resistência
Moradores consultados não preveem mudanças imediatas de regime. Muitos jovens buscam emigrar, enquanto setores mais velhos recordam conquistas sociais da Revolução, como educação e saúde gratuitas. “Cuba continuará avançando, apesar do bloqueio”, conclui Feliz Jorge.
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Crédito da imagem: Arquivo pessoal/Divulgação
Fonte: Agência Brasil
