O IBGE divulgou que a taxa nacional de analfabetismo chegou a 4,9% em 2025. O Nordeste, porém, ainda reúne 4,8 milhões de pessoas sem saber ler ou escrever, a maior taxa regional do país.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (19) pelo IBGE, revela que o Nordeste abriga 4,8 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever, representando mais da metade dos 8,4 milhões de analfabetos em todo o Brasil. A taxa de analfabetismo na região é de 10,6%, a mais alta do país, enquanto a média nacional caiu para 4,9% em 2025.
Esta é a primeira vez que a taxa de analfabetismo nacional fica abaixo de 5% desde 2016. Em comparação ao ano anterior, houve uma redução de 592 mil pessoas sem habilidades básicas de leitura e escrita no país. Contudo, o Brasil ainda não atingiu a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que visava erradicar o analfabetismo até 2024.
Os índices de analfabetismo nas diversas regiões do Brasil são os seguintes:
Nordeste: 10,6%
Norte: 5,7%
Centro-Oeste: 3,3%
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Sul: 2,4%
Sudeste: 2,3%
Na educação infantil, tanto o Norte quanto o Nordeste enfrentam desafios relacionados à infraestrutura. No Norte, 44,5% das crianças de 2 a 3 anos que não estão na escola não frequentam creches devido à falta de vagas ou instituições na região. No Nordeste, esse percentual é de 37,2%. Apesar de o Brasil ter alcançado a meta do PNE para crianças de 6 a 14 anos no ensino fundamental (96,1%), os níveis de escolarização ainda não retornaram aos patamares anteriores à pandemia.
O analfabetismo no Brasil é também fortemente ligado à faixa etária. Pessoas com 60 anos ou mais representam 58% do total de analfabetos, somando 4,9 milhões. Nessa faixa etária, a taxa é de 13,8%. Quando analisada a população de 15 a 59 anos, o índice reduz para 2,6%, indicando um maior acesso à educação entre as gerações mais jovens.
“A diferença entre esses grupos da população reforça a importância de políticas de manutenção de crianças e jovens na escola, bem como aquelas específicas para alfabetização de adultos e idosos”, afirma o analista da pesquisa, William Kratochwill.
Pela primeira vez, em 2025, a taxa de analfabetismo entre mulheres idosas (13,7%) foi menor que a dos homens na mesma faixa etária (14,1%). Na média geral da população a partir de 15 anos, as mulheres também apresentam um indicador melhor (4,6%) em comparação aos homens (5,2%).
A pesquisa ainda revela desigualdades raciais significativas. O analfabetismo entre pretos ou pardos com 60 anos ou mais é de 20,6%, quase três vezes superior ao de brancos (7,3%). No entanto, houve avanços no nível de instrução: pela primeira vez, mais da metade (51,3%) da população preta ou parda com 25 anos ou mais completou o ensino médio, comparado a 64,9% entre brancos.
A média de anos de estudo do brasileiro com 25 anos ou mais aumentou para 10,2 anos em 2025. No ensino superior, a diferença permanece evidente: 6,2% dos brancos entre 18 e 24 anos já concluíram a graduação, mais que o dobro dos 3,0% entre pretos ou pardos.
Entre os jovens de 14 a 29 anos, 7,7 milhões não completaram o ensino médio. O principal motivo para o abandono escolar é a necessidade de trabalhar, apontado por 43% dos entrevistados. O desinteresse pelos estudos é o segundo motivo (25,6%). Para as mulheres, fatores como gravidez (24,7%) e afazeres domésticos (8,6%) são obstáculos específicos à permanência no ensino.
