Amazonprev: gestores ignoram alertas e investem R$ 390 mi
Amazonprev foi alertada por seus próprios analistas e por uma consultoria externa, mas, ainda assim, alocou aproximadamente R$ 390 milhões em letras financeiras emitidas por quatro bancos privados, segundo investigações da Polícia Federal (PF).
Aplicações contrariaram recomendações técnicas
Relatórios internos da Fundação de Previdência do Amazonas e pareceres da empresa de consultoria LDB desaconselharam a compra de letras financeiras sem a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. Entre junho e setembro de 2024, porém, o gestor de recursos Claudinei Soares liderou a aquisição de papéis dos bancos Master, Daycoval, BTG Pactual e C6 Consignado.
PF aponta possível gestão temerária
A PF sustenta que as operações violaram normas de governança e regras federais que balizam investimentos de fundos previdenciários. Com base nisso, a Justiça Federal autorizou a Operação Sine Consensu, deflagrada em 6 de março de 2026. O despacho da 4ª Vara Federal Criminal destaca o risco de perda total, já que as letras financeiras não contam com garantia do FGC.
Detalhes das transações sob suspeita
Os investigadores identificaram quatro movimentações principais: R$ 50 milhões no Banco Master em junho de 2024; R$ 50 milhões no Banco Daycoval em agosto; R$ 40,72 milhões no BTG Pactual em setembro; e R$ 250 milhões no Banco C6 Consignado, também em setembro. Em novembro de 2025, o Banco Central liquidou o Master, elevando o risco de prejuízo ao fundo.
Pagamentos suspeitos a servidores
Documentos apreendidos indicam que três dirigentes receberam valores da empresa Alfa A Consultoria e Gestão de Frota, de Niterói (RJ). Soares teria obtido R$ 273,8 mil; o diretor de Administração e Finanças, Cláudio Marins de Melo, R$ 185,35 mil; e o diretor de Previdência, André Luis Bentes de Souza, R$ 161 mil. A juíza responsável classificou os repasses como “atípicos” para um fundo previdenciário estadual.
Afastamentos e colaboração
Por decisão judicial, Soares, Melo e Souza foram afastados das funções. A Amazonprev divulgou nota afirmando colaborar com as autoridades e garantiu que as aplicações sob investigação não comprometem o pagamento de benefícios, citando superávit atuarial de R$ 1,7 bilhão e patrimônio superior a R$ 11 bilhões.
Próximos passos da investigação
Com mandados de busca executados na sede da fundação e em endereços ligados aos investigados, a PF busca esclarecer se houve corrupção e prejuízo efetivo aos cofres do fundo. Mais informações sobre o andamento da Operação Sine Consensu podem ser acompanhadas no portal da Polícia Federal, fonte considerada de alta autoridade em segurança pública.
Para acompanhar outras apurações envolvendo órgãos públicos, visite a editoria de Justiça do Giro pela Bahia e mantenha-se informado.
Crédito da imagem: Polícia Federal
Fonte: Agência Brasil
