Levantamento da CNI aponta que 39% das indústrias pretendem aumentar dívida bancária nos próximos três meses. Juros altos e aperto de caixa levam 53% a prever maior necessidade de crédito para pagar fornecedores e tributos.
Os juros altos continuam a pressionar a indústria brasileira. Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira, 3 de agosto, revelou que 39% das indústrias consultadas esperam aumentar a dívida bancária nos próximos três meses. A pesquisa também indica que a maioria das empresas antecipa uma maior necessidade de crédito para manter suas operações.
De acordo com o levantamento, 53% das indústrias acreditam que precisarão recorrer ainda mais ao crédito para financiar suas contas a pagar, que incluem fornecedores, tributos e despesas operacionais. Dentro desse grupo, 38% esperam contratar empréstimos com juros ainda mais elevados.
A analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virginia Colusso, comentou que a recente redução da taxa Selic não foi suficiente para aliviar o custo do crédito.
Segundo Colusso, “mesmo depois de três cortes de juros que tivemos em 2026, a taxa Selic continua muito alta e isso tem consequências negativas sobre a atividade industrial”. Ela enfatiza que as empresas projetam uma maior pressão financeira nos próximos meses e que a expectativa é de ampliação na tomada de crédito, mesmo diante dos custos elevados.
A pesquisa também revela que 47% das empresas pretendem aumentar o crédito para antecipar recursos de vendas a prazo e reforçar o fluxo de caixa. Entre os entrevistados, 42% acreditam que esse tipo de financiamento ficará mais caro.
O mesmo percentual (42%) prevê ampliar a contratação de crédito para financiar estoques, seja para a aquisição de insumos, produção ou manutenção de mercadorias armazenadas. Apenas 13% dos entrevistados esperam reduzir esse tipo de operação.
O gerente de Política Econômica da CNI, Kleber de Castro, avaliou que o ciclo de redução da Selic ainda não produziu efeitos relevantes sobre o crédito produtivo.
De acordo com Castro, “a percepção empresarial de custos financeiros elevados e viés de alta nos juros das operações de crédito é consistente com o ciclo de política monetária em curso”.
Além disso, o levantamento aponta que 58% dos empresários projetam uma queda na margem líquida nos próximos três meses. Em resposta a esse cenário, 37% pretendem reajustar os preços de venda, enquanto 51% afirmam que devem mantê-los.
A pesquisa ouviu 191 empresas industriais entre 13 e 24 de julho de 2026. Os participantes representam 30 setores da indústria em 20 unidades da Federação.

