Ministro André de Paula celebrou avanços e traçou metas ambiciosas para o campo. A colaboração entre governo e setor produtivo foi apontada como chave para superar desafios e expandir exportações.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou nesta terça-feira (2) a relevância da colaboração entre o governo e o setor produtivo para enfrentar desafios e apresentou um panorama de conquistas e metas ambiciosas para o agronegócio brasileiro. Durante sua participação no painel “Diálogo, inovação e crescimento: o novo momento do agronegócio brasileiro”, no Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o ministro reiterou o compromisso com o desenvolvimento e a inovação no campo.
De Paula enfatizou a abertura de novos mercados internacionais para os produtos brasileiros e mencionou que, desde a saída do ex-ministro Carlos Fávaro, que deixou o ministério com 555 mercados abertos, o número já aumentou para 616, com a meta de alcançar 700. Ele atribuiu parte desse êxito ao envolvimento pessoal do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, “tem muito prazer em se envolver pessoalmente nessas questões”.
Entre as conquistas recentes, o ministro citou a abertura do mercado do Vietnã e a ampliação da presença brasileira na China, que é o principal destino dos produtos agrícolas do país. A formalização pela China de que o Brasil é um país livre de febre aftosa sem vacinação foi destacado como um resultado de negociações diplomáticas intensas.
De Paula também mencionou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como um pilar estratégico para o agronegócio e destacou um aumento nos investimentos em pesquisa, que agora são três vezes maiores. Ele falou sobre a inauguração de um escritório da Embrapa na capital paulista, em parceria com a presidente do órgão, Silvia Massruhá.
“Em São Paulo, nós já temos cinco unidades da Embrapa, mas nós precisávamos ter um escritório que tivesse foco em negócios e que fosse aqui na capital. Também assinamos um termo de cooperação muito importante com o Carrefour, que visa qualificar e capacitar os nossos produtores que fornecem para essa rede de supermercados”, disse.
O ministro informou ainda que, após 15 anos sem concurso público, a Embrapa realizou um certame para preencher 1.027 vagas, com a possibilidade de acréscimo de 25%, totalizando 1.300 novos profissionais. “A reinclusão da Embrapa no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) garantiu um aporte de R$ 1 bilhão para a renovação de sua estrutura, permitindo a inauguração de novas unidades, como a Embrapa Territórios em Alagoas”, explicou.
Em relação à infraestrutura, De Paula destacou o programa de recuperação de estradas vicinais e rurais, que visa restaurar cerca de 8 mil km de vias, facilitando o escoamento da produção e o acesso dos produtores.
O ministro também abordou os desafios que o setor enfrenta, como o elevado endividamento dos produtores, a necessidade de um seguro rural robusto e a criação de um fundo garantidor. Ele mencionou o impacto das guerras na formação dos preços de fertilizantes e combustíveis, itens cruciais para a produção agrícola.
De Paula afirmou que, para o próximo Plano Safra, que será anunciado em 1º de julho, a expectativa é um volume de recursos em torno de R$ 550 bilhões, representando um aumento de 10% em relação ao ano anterior, quando os valores chegaram a R$ 516 bilhões. A grande aposta é na redução das taxas de juros para um dígito, o que representaria uma “grande vitória” para os produtores.
O ministro ressaltou que “o agro é um setor que cuida de 25% do PIB nacional, que gera 38 milhões de empregos e é responsável por metade da pauta de exportações do Brasil. No ano passado, nós crescemos 11,7% do PIB e fomos determinantes para que o país crescesse 2,3% no ano passado. São números que dispensam qualquer comentário, porque falam muito eloquentemente sobre a importância do setor, o papel que compre, o seu crescimento atual e do futuro.”
Concluindo seu discurso, o ministro reforçou a importância da união e da colaboração entre todos os atores do agronegócio, enfatizando que “o Agro não tem partido, o Agro não tem cor. O Agro é algo que nos une a todos. Precisamos buscar essa parceria. É o que pode nos assegurar bons resultados”, finalizou.
