A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI)inaugurou, nesta terça-feira (31), o Centro de Análises e Pesquisa da Vitivinicultura Brasileira, no Distrito Federal, o primeiro do gênero na região Centro-Oeste. A iniciativa, realizada em parceria com a Anprovin, representa um avanço estratégico para o fortalecimento da vitivinicultura nacional, com foco em inovação, competitividade e desenvolvimento regional.
Com investimento de R$ 3,4 milhões, a nova estrutura permitirá reduzir em até 50% os custos com análises laboratoriais para produtores do Centro-Oeste, Sudeste e da Bahia. A iniciativa também deve acelerar processos, ampliar a qualidade dos vinhos e impulsionar a cadeia produtiva, que envolve desde a produção agrícola até o turismo e a economia criativa.
Instalado no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF, uma das regiões produtoras dos chamados Vinhos de Inverno, o laboratório nasce com a missão de estimular o desenvolvimento tecnológico e consolidar padrões de excelência para vinhos produzidos fora do eixo tradicional da Região Sul.
Durante a cerimônia, o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, destacou o papel estruturante do laboratório para o desenvolvimento do setor e da região.
“Esse equipamento é muito mais do que um laboratório. Ele se transforma em um vetor de desenvolvimento, estimulando novos atores a acreditarem no potencial da região. A vitivinicultura movimenta toda uma cadeia, da produção ao turismo, e se consolida como um vetor estratégico para o Centro-Oeste, para o Distrito Federal e para o Brasil.”
Cappelli também ressaltou o papel do agro como motor de integração nacional e inovação. “A indústria do século XXI não é mais chaminé e fumaça. Ela é tecnológica, sustentável e conectada à economia criativa. É isso que estamos construindo aqui hoje.”
A gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias (UDT) da ABDI, Isabela Gaya, destacou o impacto direto da iniciativa para os produtores da região e para o avanço do setor. “A produção de vinhos de inverno no Centro-Oeste tem crescido muito, só em 2024, foram quase 1.500 toneladas de uvas viníferas, movimentando cerca de R$ 18 milhões. Antes, os produtores precisavam enviar amostras para outras regiões, o que encarecia e atrasava o processo. É a ABDI levando inovação, transformação digital e mais competitividade para o setor produtivo.”
A unidade atenderá mais de 55 vinícolas associadas à Anprovin, distribuídas pelo Sudeste, Centro-Oeste e Chapada Diamantina. Para o presidente da entidade, Cláudio Góes, a iniciativa representa um passo importante para a expansão da vitivinicultura fora das regiões tradicionais do país.
“A implantação desse laboratório no Distrito Federal representa um marco para o setor. Ele aproxima a tecnologia do produtor, fortalece a inovação e abre caminho para o crescimento sustentável da vitivinicultura em novas regiões do Brasil.”
Já o produtor e diretor de relações institucionais da Anprovin, Ronaldo Triacca, destacou o impacto direto da estrutura na qualidade e no futuro dos vinhos brasileiros.
“Esse laboratório, com o nível tecnológico que possui, será uma ferramenta fundamental para avançarmos ainda mais na qualidade dos vinhos e no desenvolvimento de diversas regiões produtoras.”
Representando a cooperativa, o vice-presidente da Coopa-DF, Leandro Maldaner, enfatizou o avanço tecnológico da produção local:
“A vitivinicultura chega como uma cultura de inverno altamente tecnológica, que vem se desenvolvendo com qualidade e consolidando o Distrito Federal como uma nova fronteira produtiva.”
Para os produtores, os impactos são imediatos. O empresário Jeferson Fernandes, da vinícola Forzza, destacou os ganhos operacionais e de qualidade. “Com o laboratório aqui, vamos conseguir agir com mais rapidez, melhorar os processos e oferecer vinhos de ainda mais qualidade. Isso fortalece toda a cadeia produtiva e beneficia diretamente o consumidor.”
Polo tecnológico e nova fronteira do vinho brasileiro
Projetado com infraestrutura de ponta, a unidade terá capacidade para realizar até 400 análises mensais, seguindo os padrões recomendados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
O centro foi estruturado para atuar como referência nacional em análises avançadas para o setor vitivinícola. Além das análises físico-químicas clássicas, essenciais para certificação e controle de qualidade, o laboratório também realizará exames de alta precisão por cromatografia líquida, capazes de identificar e quantificar compostos como ácidos orgânicos e fenólicos, fundamentais para o perfil sensorial dos vinhos.
Outro diferencial é a realização de análises por cromatografia gasosa, utilizadas para mensurar metanol, álcoois superiores e outros componentes críticos para a segurança e a padronização dos produtos.
A unidade conta com equipamentos de última geração e, além da atividade analítica, oferecerá consultoria enológica, cursos, treinamentos e workshops voltados à formação e atualização de profissionais, ampliando a qualificação técnica do setor.
Com esse conjunto de recursos e serviços, o laboratório posiciona o Distrito Federal como um novo polo tecnológico da vitivinicultura nacional, reforçando a rastreabilidade, o rigor científico e a capacidade de inovação dos Vinhos de Inverno.
Sobre os Vinhos de Inverno
Os Vinhos de Inverno são hoje uma das vertentes mais inovadoras da vitivinicultura nacional. A técnica da dupla poda, que desloca a colheita para o período seco do inverno, permite a produção de vinhos de maior qualidade fora do calendário tradicional.
Mais de 55 vinícolas associadas à Anprovin adotam o manejo em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás, Mato Grosso e DF. Todas seguem rigorosos critérios de certificação e recebem o selo da entidade, que garante procedência e qualidade.
No conjunto, essas vinícolas somam cerca de 1,2 milhão de videiras e produzem quase 1 milhão de garrafas por ano — número que deve triplicar nos próximos três anos com o amadurecimento dos vinhedos e o lançamento de novos rótulos.
