Era 16h45. Uma reunião crucial estava marcada para às 17h. O dia havia sido repleto de compromissos desde as 7h30, sem tempo para uma pausa. Aquela reunião era a mais importante do dia e a pressão de estar despreparado era grande. Era a continuação de outras três discussões realizadas meses atrás, e muito foi debatido, mas pouco me lembrava. O tempo havia passado rápido demais.
Sem pensar, abri o Gemini, arrastei os registros de todas as reuniões para a tela e digitei uma frase simples: “Analise as reuniões e monte um racional do que preciso saber para a próxima. Seja objetivo.” Em apenas três minutos, o problema estava resolvido.
Essa história não gira em torno de produtividade, mas sim de uma mudança de comportamento que está ocorrendo agora, de forma silenciosa, e que promete transformar a maneira como as pessoas descobrem, confiam e escolhem marcas.
Os números já indicam o que muitos empresários ainda não perceberam. Atualmente, 37% dos consumidores iniciam suas pesquisas em ferramentas de inteligência artificial antes mesmo de abrir o Google. Além disso, 41% compraram um produto recomendado por uma IA nos últimos seis meses. No Brasil, 64% dos consumidores já utilizaram IA generativa nas suas decisões de compra. Contudo, 59% das empresas de marketing no país ainda não acompanham esse novo perfil de consumidor.
Essa não é uma tendência futura, mas um comportamento presente.
E aqui está a pergunta que poucos empresários estão se fazendo: se alguém questionar agora ao ChatGPT qual empresa resolve o problema que o seu negócio resolve, o seu nome aparecerá?
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
As LLMs, como ChatGPT, Gemini e Claude, operam com uma lógica completamente diferente da do Google. Elas não classificam o que você declara sobre si mesmo, mas processam o que os outros dizem sobre você. Avaliações, menções e a reputação que circula na internet e nos canais digitais são o que alimenta a recomendação da inteligência artificial. Uma nova estrutura social de atribuição de valor às marcas está em formação, e a maioria das empresas ainda não se deu conta disso.
Pense sobre isso: se antes o consumidor era influenciado pelo que via na primeira página do Google, agora ele é guiado pelo que a IA sintetizou a partir de tudo que foi comentado sobre a sua marca. Você pode ter o melhor produto do mercado, mas se a sua reputação digital for fraca, inconsistente ou inexistente, a IA não terá bases para te recomendar, e provavelmente indicará quem possui uma reputação mais sólida.
Essa mudança tem um nome: AEO, Answer Engine Optimization. É o novo SEO. E, assim como no início dos anos 2000, quem agir primeiro nesse novo cenário construirá uma vantagem que levará anos para os outros alcançarem.
A ação prática é direta. Abra agora o ChatGPT, o Gemini ou qualquer LLM que você utiliza e digite: “Qual empresa você recomenda para resolver [o problema que o seu negócio resolve]?” Veja se o seu nome aparece, em que contexto e com qual narrativa. Em seguida, faça uma pesquisa sobre o nome da sua empresa nessas mesmas ferramentas e descubra o que elas dizem sobre você. Esse será o reflexo mais honesto da sua reputação digital hoje. Depois, mapeie o que seus clientes falam sobre você em público, em avaliações, redes sociais e fóruns. Esse conteúdo gerado por terceiros, e não o que você mesmo publica, é o que a IA utiliza para recomendar ou ignorar a sua marca.
O branding sempre teve como objetivo criar um atalho na mente do consumidor. Quando alguém pensava em um celular, imediatamente vinha à mente a Apple. Para um banco digital, o nome Nubank era lembrado. Agora, esse atalho precisa existir também na mente da inteligência artificial.
A inteligência artificial já está escolhendo marcas e influenciando decisões de compra neste momento. A questão não é se essa mudança irá acontecer, mas se a sua marca estará bem posicionada quando o cliente da IA se tornar o seu próximo cliente.
