Estatais são patrimônio, afirma ministra Esther Dweck
Estatais foram defendidas como “patrimônio do povo brasileiro” pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, durante o evento “Democracia e Direitos Humanos: Empresas Juntas por um Brasil Mais Igualitário”, realizado na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. A dirigente rechaçou críticas ao modelo público, associando a privatização, em alguns casos, à piora dos serviços oferecidos à população.
Privatizações sob questionamento
Dweck argumentou que a venda de ativos públicos não é solução universal. Como exemplo, citou a concessionária Enel, alvo de reclamações em São Paulo pela demora no restabelecimento de energia após fortes tempestades. Para a ministra, a experiência evidencia “risco real de perda de qualidade” quando o serviço é guiado apenas pela lógica de lucro.
Correios terão plano de reestruturação
Símbolo das atuais dificuldades, os Correios — obrigados constitucionalmente a atuar em todos os 5.568 municípios — operam com caixa limitado. Segundo Dweck, o governo finaliza um plano que deverá ser aprovado “em breve” para ajustar o modelo de negócios, aproximando-o de estratégias adotadas “em outros países”, como a associação a novas atividades rentáveis. A ministra lembrou que a inclusão da estatal em programas de privatização anteriores inibiu investimentos, agravando a crise de liquidez.
Poder de investimento público
Em resposta a avaliações de que empresas estatais seriam onerosas, a ministra apresentou dados do Banco Central comprovando a capacidade de investimento: 23 estatais aplicaram R$ 12,5 bilhões nos últimos dois anos e meio — quase seis vezes os R$ 2,1 bilhões do mesmo período do governo anterior. Ela também esclareceu que “déficit” contábil pode ocorrer mesmo em companhias lucrativas, quando há uso de caixa próprio para expandir projetos estratégicos.
Compromisso com desenvolvimento sustentável
Diante de representantes do setor privado e da sociedade civil, Dweck enfatizou que estatais foram decisivas para a infraestrutura nacional, a integração regional, a segurança energética e a pesquisa aplicada. A posição foi endossada pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que repudiou iniciativas de retrocesso em políticas inclusivas e defendeu a criação de oportunidades para mitigar a desigualdade.
O debate também contou com participação da empresária Luiza Helena Trajano, que destacou ações do Magazine Luiza em prol da diversidade. Para Dweck, tais iniciativas demonstram que setor público e privado podem cooperar “por um Brasil mais igualitário”, ideia alinhada ao Pacto Global da ONU, detalhado no site do BNDES.
No conjunto, a ministra reforçou que “sem estatais, muitos direitos, serviços e oportunidades simplesmente não existiriam”, reiterando o papel estratégico dessas companhias no desenvolvimento econômico, social e ambiental do país.
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Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
