Defesa de ex-assessor de Bolsonaro nega monitoramento ilegal de Moraes e sustenta que o coronel do Exército Marcelo Câmara apenas consultou fontes abertas, sem qualquer espionagem contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A argumentação foi apresentada em 9 de dezembro de 2025, durante sessão da Primeira Turma do STF que julga a suposta trama golpista atribuída a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Defesa de ex-assessor de Bolsonaro nega monitoramento ilegal de Moraes
O advogado Luiz Eduardo Kuntz, responsável pela defesa de Câmara, afirmou aos ministros que o militar exercia “funções estritamente administrativas” no Palácio do Planalto e que suas pesquisas tinham caráter preventivo para a segurança do então chefe do Executivo. Ele ressaltou que as informações repassadas ao então ajudante de ordens Mauro Cid provinham de “fontes abertas”, como notícias e dados públicos disponíveis na internet.
Mensagens obtidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no celular de Cid indicam que, em dezembro de 2022, Câmara avisou que Moraes estaria em São Paulo, referindo-se ao magistrado pelo codinome “professora”. Para o Ministério Público, o episódio configuraria monitoramento ilegal. A defesa rebate o argumento, dizendo que “não houve coleta clandestina nem violação de dados privados”.
Segundo Kuntz, o coronel atuava na organização de agendas e deslocamentos de Bolsonaro. Como exemplo, citou situação em que Câmara teria evitado que o então presidente se encontrasse, no Norte do país, com um suposto traficante após verificar informações disponíveis publicamente. “Graças a essas pesquisas, foi possível identificar o risco e cancelar o compromisso”, declarou o advogado.
O representante legal também negou envolvimento do militar no chamado plano “Punhal Verde Amarelo”, que, de acordo com a PGR, visava assassinar Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. “Se tivesse conhecimento de qualquer ação ilícita, Marcelo Câmara teria tomado providências para interrompê-la”, pontuou.
Além de Câmara, respondem no mesmo processo Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais; Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal; o general da reserva Mário Fernandes; Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça; e Fernando de Sousa Oliveira, ex-diretor de Operações do mesmo ministério. O grupo é acusado de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
A Primeira Turma do STF continuará ouvindo as sustentações orais das demais defesas antes de votar o relatório do ministro relator. O tribunal não informou prazo para conclusão do julgamento. O caso integra a série de processos abertos após os atos antidemocráticos investigados pelos órgãos de controle e segurança.
Em nota, o Supremo ressaltou que o julgamento segue o devido processo legal e que todas as partes terão “ampla oportunidade de defesa”, conforme previsto na Constituição. Mais detalhes sobre a tramitação podem ser consultados no site oficial do Supremo Tribunal Federal.
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Crédito da imagem: Rosinei Coutinho/STF
Fonte: Rosinei Coutinho/STF
