Toffoli autoriza busca na 13ª Vara da Lava Jato em Curitiba na manhã de 3 de dezembro de 2025, agentes da Polícia Federal recolheram documentos na unidade judicial que deu origem à Operação Lava Jato, atendendo a determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Toffoli autoriza busca na 13ª Vara da Lava Jato em Curitiba
A diligência foi expedida no âmbito de um inquérito sigiloso que apura supostas irregularidades na condução de processos criminais pela Justiça Federal do Paraná. Segundo a decisão, a PF deve apreender peças processuais que o STF vinha solicitando reiteradamente e que, até então, não haviam sido enviadas.
Entre os alvos da investigação está o senador Sérgio Moro (União-PR), ex-titular da 13ª Vara Federal de Curitiba. O parlamentar passou a ser citado depois que declarações do empresário e ex-deputado estadual Antônio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, apontaram possível pressão para obtenção de provas contra políticos em 2004, durante acordo de colaboração premiada posterior à sua prisão por gestão fraudulenta no Consórcio Nacional Garibaldi.
O inquérito foi instaurado no ano passado a pedido da Procuradoria-Geral da República, depois de relatório da Polícia Federal indicar necessidade de aprofundar as apurações sobre o tema. Toffoli é o relator do procedimento no Supremo.
Em nota, Moro sustentou que a busca “apenas confirmará que os relatos de Tony Garcia são mentirosos” e afirmou “não ter qualquer preocupação com o amplo acesso do STF” aos processos em que atuou. O senador reforçou a tese de que a Corte não teria competência para analisar o caso, já que os fatos investigados não se relacionam à sua atividade parlamentar nem ao período em que chefiou o Ministério da Justiça.
A Justiça Federal do Paraná informou que não se manifestará sobre o assunto. Já o STF, por meio de despacho disponível no portal stf.jus.br, destacou que a coleta de documentos busca garantir a completa instrução do inquérito.
A operação desta quarta não interfere nos processos da Lava Jato já encerrados, mas pode reabrir discussão sobre eventual parcialidade na condução dos autos à época em que Moro estava à frente da vara. Para especialistas, o material apreendido será fundamental para esclarecer se houve ou não abuso de autoridade nas negociações de delações premiadas.
Ao final da diligência, os policiais federais lacraram os volumes retirados da 13ª Vara. Eles serão encaminhados diretamente ao gabinete do ministro, onde ficarão sob guarda até análise pericial.
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Crédito da imagem: Rosinei Coutinho/STF
Fonte: Agência Brasil
