Apostas online geram prejuízo de R$ 38,8 bi ao Brasil, aponta estudo
Apostas online geram prejuízo de R$ 38,8 bilhões ao Brasil todos os anos, segundo o relatório “A saúde dos brasileiros em jogo”, divulgado em 2 de dezembro. Elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), pela organização Umane e pela Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental (FPSM), o documento calcula perdas sociais e econômicas que incluem suicídios, desemprego, gastos médicos e encarceramento.
Impacto social e econômico das apostas
O estudo estima que 17,7 milhões de pessoas apostaram em plataformas digitais em apenas seis meses e calcula que 12,8 milhões estão em situação de risco para transtorno do jogo. Ao aplicar metodologia usada no Reino Unido, os pesquisadores chegaram aos seguintes custos anuais:
– R$ 17 bi por mortes por suicídio;
– R$ 10,4 bi pela perda de qualidade de vida decorrente de depressão;
– R$ 3 bi em tratamentos médicos para depressão;
– R$ 2,1 bi em seguro-desemprego;
– R$ 4,7 bi com encarceramento;
– R$ 1,3 bi por perda de moradia.
Desse total, 78,8% (R$ 30,6 bi) estão diretamente ligados à saúde. Pesquisas internacionais, como as citadas pela Organização Mundial da Saúde, corroboram a ligação entre jogo compulsivo, ansiedade e risco de suicídio.
Arrecadação vs. prejuízo
Apesar de movimentar cerca de R$ 240 bi em 2024, o setor recolheu R$ 6,8 bi em impostos até setembro, valor que pode chegar a R$ 12 bi no ano. O contraste com o prejuízo de R$ 38,8 bi evidencia, segundo o estudo, “uma conta que não fecha do ponto de vista do interesse público”. Atualmente as apostas pagam 12% sobre a receita bruta e 15% de Imposto de Renda sobre prêmios. Projeto em análise no Senado propõe elevar a alíquota para 24%.
Os autores criticam ainda o repasse de apenas 1% da arrecadação ao Ministério da Saúde. Até agosto, R$ 33 milhões chegaram efetivamente à pasta, sem vinculação obrigatória a serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), responsável por cuidar de saúde mental no SUS.
Empregos escassos e informalidade elevada
Com apenas 1.144 postos formais, o segmento de apostas oferece, em média, um salário para cada R$ 291 de receita empresarial. Além disso, 84% dos trabalhadores não contribuíram para a previdência em 2024, bem acima da média nacional de informalidade (36%), aponta o levantamento.
Propostas de mitigação
Diante da consolidação das bets no mercado, o Ieps sugere: ampliar a destinação de impostos à saúde, capacitar profissionais do SUS para acolhimento, proibir publicidade que incentive o jogo, restringir acesso de menores e perfis de risco e endurecer regras para as operadoras. “Sem regulação firme, crescem endividamento e adoecimento”, resume Rebeca Freitas, diretora do Ieps.
Setor reage a aumento de impostos
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que reúne cerca de 75% do mercado nacional, afirma que tributação elevada pode estimular operadores ilegais. A entidade sustenta que mais da metade das apostas online já ocorre na clandestinidade.
Em síntese, o estudo reforça que o custo social das apostas online supera largamente a arrecadação, exigindo medidas imediatas de redução de danos e proteção à saúde mental da população. Para acompanhar outras análises sobre bem-estar e políticas públicas, visite a editoria de Saúde e continue informado.
Crédito da imagem: Agência Brasil/Reuters
Fonte: Agência Brasil
