Crime organizado: jurista propõe autoridade nacional antimáfia é a principal proposta do jurista Walfrido Warde para enfrentar o avanço das grandes facções brasileiras, segundo entrevista concedida à Agência Brasil.
Integração das forças de segurança
Warde sustenta que a dispersão de competências entre União, estados e municípios cria lacunas que favorecem organizações como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho. De acordo com o jurista, a Polícia Federal conta com cerca de 15 mil agentes; mesmo somada à Polícia Rodoviária Federal, esse efetivo não ultrapassa 20 mil profissionais, número muito inferior ao total de policiais estaduais e municipais.
Para ele, uma coordenação única evitaria “desarticulação e politização” das ações. O jurista defende que a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública inclua a criação de uma autoridade nacional antimáfia, responsável por definir estratégias em conjunto com as polícias federal, civis e militares.
Livro analisa infiltração mafiosa
Em coautoria com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, Warde lançou recentemente, em evento na capital paulista, o livro Segurança Pública: o Brasil Livre das Máfias. A obra detalha como facções criminosas ocupam espaços sociais, políticos e econômicos.
No setor econômico, o texto indica presença criminosa em transporte, iluminação, mercado imobiliário, redes de restaurantes, revendas de veículos e postos de combustíveis. Há ainda contratos com administrações públicas e investimentos no sistema financeiro, inclusive em criptomoedas e fundos de investimento.
Financiamento político sob suspeita
Segundo Warde, facções passaram a financiar campanhas eleitorais após a proibição do financiamento empresarial. Com grande volume de dinheiro em espécie, essas organizações teriam encontrado uma brecha para influenciar vereadores, deputados estaduais e federais.
Para conter essa prática, o jurista defende a reinstituição do financiamento empresarial, agora com regras rígidas de rastreabilidade e transparência, de modo a substituir o capital ilícito.
Tipificação de envolvimento e listas públicas
Outra proposta apresentada é a criação de graus de associação a organizações mafiosas, aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas investigadas, denunciadas ou condenadas. A medida permitiria a elaboração de listas públicas, evitando que entes governamentais contratem empresas ligadas ao crime.
Warde alerta que o estágio de infiltração atual aponta para “um narcoestado em formação”, fenômeno observado em relatórios internacionais, como os publicados pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
Em síntese, o jurista sustenta que enfrentamento efetivo ao crime organizado exige integração completa das forças de segurança, tipificação clara dos envolvidos e um órgão nacional dedicado a políticas antimáfia.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
