Lula no G20 defende soberania em minerais críticos
Lula no G20 defende soberania em minerais críticos ao alertar, em Joanesburgo, que o controle do conhecimento e do valor agregado desses recursos deve permanecer nas nações detentoras das reservas.
Lula no G20 defende soberania em minerais críticos
Durante a sessão temática que discutiu minerais críticos, inteligência artificial (IA) e trabalho decente, o presidente brasileiro ressaltou que a forma de integrar os três eixos definirá “o futuro das próximas gerações”. Ele frisou que lítio, cobalto, níquel e terras raras são insumos estratégicos para a transição energética e não devem ser explorados apenas como commodities.
Lula lembrou que o Brasil reúne cerca de 10% das reservas mundiais desses elementos e já instituiu o Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos para planejar a exploração responsável. “Países com grandes reservas não podem ser meros fornecedores enquanto ficam à margem da inovação”, declarou.
A Cúpula, presidida pela África do Sul, deve publicar documento que incentiva o beneficiamento dos minérios nos próprios países de origem, com regras ambientais e sociais claras. Segundo o presidente, “soberania não se mede pela quantidade de depósitos naturais, mas pela capacidade de transformar recursos em benefícios para a população”.
Sua fala ecoa estudos que revelam conflitos em frentes exploratórias e impactos climáticos da corrida por minérios. A importância econômica do setor é tema de relatórios da Agência Internacional de Energia, que aponta risco de concentração da oferta global em poucos territórios.
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Governança da IA e proteção ao trabalho
No mesmo pronunciamento, Lula disse que a inteligência artificial pode impulsionar a produtividade e a inovação, mas exige uma governança “global e representativa” para evitar um “colonialismo digital”. Citou que 2,6 bilhões de pessoas seguem fora do mundo online e que, em nações de baixa renda, só 27% da população acessa a internet, ante 93% nos países ricos.
Ele destacou ainda que 40% dos empregos no planeta estão expostos à automação pela IA. “Cada painel solar, cada chip, cada linha de código deve carregar a marca da inclusão social”, afirmou, defendendo que a tecnologia fortaleça, e não fragilize, direitos trabalhistas.
Próximos passos da diplomacia brasileira
Após a Cúpula, Lula reuniu-se com líderes do Fórum Índia-Brasil-África do Sul e segue para Maputo para celebrar 50 anos de relações diplomáticas com Moçambique. Ele enfatiza que o Brasil quer atuar como parceiro na cadeia global de valor dos minerais, não apenas como exportador.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
