Internado no Sírio-Libanês, o veterano diretor e produtor tinha 92 anos e não resistiu a uma infecção generalizada, segundo o SBT. Sua carreira incluiu emissoras como Record, Globo, Bandeirantes e SBT.
O diretor e produtor de televisão Nilton Travesso morreu nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, aos 92 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês e não resistiu a uma infecção generalizada, segundo informou o SBT.
Nascido em São Paulo em 20 de maio de 1934, Travesso construiu uma trajetória que ultrapassa sete décadas e atravessa diferentes fases da televisão brasileira. Ao longo da carreira, atuou em emissoras como Record, Globo, Bandeirantes, Manchete e SBT, participando da produção e direção de programas, festivais e novelas que marcaram gerações.
O início de sua vida profissional ocorreu em 1953, no mesmo ano de fundação da TV Record. Na emissora, assinou a direção de atrações que foram referência em suas épocas, entre elas os programas de Hebe Camargo, Família Trapo, O Fino da Bossa e Jovem Guarda. Também esteve à frente dos históricos festivais de Música Popular Brasileira, que ajudaram a projetar artistas e canções no país.
Em 1974, Travesso transferiu-se para a TV Globo a convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, conhecido como Boni. Na emissora, participou da criação do programa Fantástico e, no ano seguinte, produziu com Ney Matogrosso o trabalho América do Sul, considerado um dos primeiros videoclipes presentes na televisão brasileira.
Nas décadas seguintes, manteve atuação constante em projetos variados. Nos anos 1980, integrou a equipe de programas como TV Mulher, Som Brasil e Balão Mágico. Também dirigiu o Chico Anysio Show e colaborou em novelas como Sinhá Moça e Direito de Amar, entre outros trabalhos que consolidaram sua presença nos bastidores da teledramaturgia.
Na TV Manchete, Travesso participou da estruturação do departamento de teledramaturgia, que produziu novelas de grande repercussão, incluindo Pantanal e A História de Ana Raio e Zé Trovão. Já no SBT, atuou na implantação de um núcleo de novelas e trabalhou em produções como Éramos Seis e As Pupilas do Senhor Reitor.
Ao longo da carreira, o diretor acompanhou e influenciou transformações técnicas e estéticas da televisão no país, do rádio e da era dos festivais à consolidação da teledramaturgia moderna. A notícia da morte foi confirmada pela emissora onde estava internado, que informou as circunstâncias do falecimento.
O legado de Nilton Travesso permanece no acervo de programas e na memória de profissionais e espectadores que acompanharam suas produções ao longo de mais de sete décadas de atividade.
