Inquérito sigiloso, iniciado em fev/2026 na Justiça Federal do Paraná, apura crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Investigações envolvem operações da OnilX e reclamações de investidores sobre resgates.
A Polícia Federal investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito começou em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná, com participação do Ministério Público Federal.
A apuração ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da OnilX, empresa que presta serviços relacionados a criptoativos e que enfrenta ações judiciais de investidores que relatam dificuldades para resgatar o dinheiro aplicado. Levantamento citado no processo identificou 108 ações contra o grupo entre junho e setembro de 2026.
Segundo registros mencionados nos autos, o empresário Fábio Lino é apontado como proprietário da empresa, e Paulo Guedes é relacionado à companhia por ter prestado consultoria, participado de reuniões estratégicas e mantido contato com potenciais investidores. Materiais de divulgação da OnilX teriam utilizado a imagem do ex-ministro.
Em processos judiciais apresentados por investidores, há relatos de que a presença de Guedes em eventos e reuniões contribuiu para decisões de investimento. Em uma dessas ações, um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa afirmou que decidiu manter e ampliar os aportes depois de participar de uma reunião em abril na qual Guedes esteve presente. Meses depois, segundo os autores da ação, o casal tentou resgatar os recursos e não conseguiu.
Em outro processo, mensagens anexadas aos autos mostram que uma assessora da OnilX mencionou a possibilidade de uma reunião com Guedes ao tentar atrair um investidor.
A Comissão de Valores Mobiliários adotou medidas administrativas contra o grupo. Em janeiro, a autarquia determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pela OnilX; em abril, a decisão foi mantida, com o esclarecimento de que a medida não alcançava a simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.
Investidores que moveram ações relatam dificuldades para sacar aplicações em criptomoedas e stablecoins, e alguns levantam suspeitas de funcionamento em formato de pirâmide financeira. A OnilX nega irregularidades e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais. A defesa de Paulo Guedes não respondeu às solicitações mencionadas nos autos.
O fato de nomes constarem no inquérito não representa condenação, e os detalhes da investigação permanecem sob sigilo. A tramitação do caso segue na Justiça Federal do Paraná e conta com acompanhamento do Ministério Público Federal.

