Majoridade do TSE vê vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro como irreversível. Alguns ministros, porém, dizem que a anulação deveria ter sido avaliada antes da retomada da apuração às 19h, para evitar influência do placar.
A avaliação predominante nos bastidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de que a eleição presidencial de 2026 está decidida e que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) não será revertida. Há, porém, integrantes da Corte que entendem que a anulação do pleito deveria ter sido discutida antes da retomada da apuração às 19h de domingo (25).
Segundo integrantes do tribunal, a argumentação a favor de discutir uma eventual anulação antes da divulgação dos resultados se apoia na preocupação de que o conhecimento do placar pudesse interferir em uma nova disputa, caso fosse determinada a repetição da votação — uma espécie de “terceiro turno”. Essa visão, contudo, convive com outros elementos considerados internamente que pesam contra a anulação.
Entre os fatores que, na avaliação desses integrantes, dificultam uma anulação estão: a diferença de votos entre os candidatos, os pedidos de prorrogação apresentados por ambas as campanhas, a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin de autorizar a prorrogação e a concordância do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, com essa medida. Outro motivo citado é o risco de desencadear uma nova crise institucional.
Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos (48,21%). A diferença foi de 4.430.191 votos.
Um levantamento realizado a partir dos registros eletrônicos das urnas identificou 34.319 votos computados entre 17h e 19h no segundo turno, pelo horário de Brasília. Desse total, 32.337 foram registrados entre 17h e 18h e outros 1.982 entre 18h e 19h.
Os estados com maior número de registros nesse intervalo foram São Paulo (8.855 votos), Bahia (4.188) e Rio de Janeiro (4.146). Entre as cidades, as maiores quantidades apareceram em São Paulo (4.487), Rio de Janeiro (2.337) e Salvador (1.766). O levantamento analisou registros de funcionamento de 497.882 seções eleitorais brasileiras, sem incluir o exterior.
O estudo não identifica o candidato escolhido pelos eleitores nem quantos votos ocorreram exclusivamente em razão da prorrogação, já que eleitores que estavam em filas às 17h poderiam concluir a votação independentemente da medida. Ainda assim, a quantidade de votos registrados entre 17h e 19h representa aproximadamente 0,77% da vantagem de Lula. Mesmo que todos esses votos tivessem sido destinados a um só candidato, não seriam suficientes para alterar o resultado.
Nos bastidores, ministros também fazem críticas à atuação do presidente do TSE. A avaliação desses integrantes é de que a demora em resolver os pedidos de ampliação do horário abriu espaço para a intervenção do Supremo em uma questão relacionada à organização das eleições e que a sequência de decisões provocou desgaste institucional.
Além das questões técnicas e numéricas, há preocupação com as consequências institucionais de uma eventual anulação. Integrantes do tribunal temem que a determinação de nova eleição depois da proclamação de um vencedor possa gerar forte insegurança jurídica e política, dado o histórico de instabilidade institucional do país.
Na avaliação predominante no tribunal, embora exista debate sobre a gestão do processo, a diferença registrada nas urnas e outros fatores tornam desproporcionais as consequências de uma repetição do pleito, cenário que também seria marcado por condições políticas distintas daquelas observadas no domingo. A notícia foi publicada em 26/10/2026.
