Manifestação no campus da UFRN convocada como 'Vire à direita' terminou em confusão entre organizadores e estudantes de esquerda que tentaram impedir o ato. Alguns manifestantes declararam apoio a Flávio Bolsonaro.
Uma manifestação no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) contra a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição terminou em confusão entre grupos de estudantes. Convocada para o fim da tarde desta segunda-feira, 19, a atividade foi divulgada com o título “Vire à direita: UFRN anti-Lula”.
Segundo relatos e imagens que circularam em redes sociais, houve confronto entre os organizadores do ato e estudantes de esquerda que tentaram impedir o prosseguimento da mobilização. Os manifestantes contrários a Lula também declararam apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e ao ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil), que enfrentará Cadu de Lula (PT) no segundo turno da eleição estadual no Rio Grande do Norte.
As imagens mostram os dois grupos frente a frente, com gritos de ordem vindos do lado que tentou barrar a manifestação. Em determinados momentos, estudantes empurraram um gradil de ferro, atravessaram uma barreira e houve confronto físico, com troca de socos e pontapés. Um aluno do curso de Jornalismo sofreu ferimento na boca e teve os óculos quebrados. Um portão da universidade também foi danificado.
O ato contra Lula contou com um boneco inflável que representava o presidente com uniforme de presidiário, além de faixas e cartazes com os dizeres “Fora, Lula” e de bandeiras do Brasil, exibidos pelos participantes.
Após o episódio de violência e do vandalismo no campus, a UFRN não se pronunciou imediatamente sobre o confronto. Em mensagem publicada nas redes sociais em que não declara apoio a nenhum candidato, a instituição afirmou seu compromisso com a sociedade e com uma universidade plural.
“Esses compromissos integram a missão das universidades públicas brasileiras e orientam sua atuação em benefício da sociedade. Ao lado da educação, da ciência, da diversidade, da democracia e do futuro do país”.
Entidades estudantis ligadas à esquerda, como a Associação de Pós-Graduandos e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRN, divulgaram nota de repúdio e se solidarizaram com o estudante ferido.
“Não podemos naturalizar manifestações que promovam a intolerância, a violência e a intimidação, tampouco admitir que a integridade física e moral de estudantes seja colocada em risco dentro de um espaço que deve ser seguro para toda a comunidade acadêmica”.
O diretório estadual do PT no Rio Grande do Norte afirmou que a manifestação foi organizada por grupos de direita e ocorreu em local não autorizado. Em outra nota, atribuída ao PT gaúcho, a legenda ressaltou que a divergência política é parte da democracia e pediu apuração rigorosa dos fatos e identificação dos responsáveis pelas agressões.
“A divergência política faz parte da democracia. Agressões, intimidações e qualquer forma de violência são inaceitáveis. Defendemos a rigorosa apuração dos fatos, a identificação dos responsáveis pelas agressões e a adoção das medidas cabíveis”.
O episódio provocou manifestações e repercussões internas na comunidade acadêmica e entre as entidades estudantis. As imagens do confronto permaneceram circulando nas redes sociais após o ocorrido, alimentando pedidos por investigação e medidas institucionais.
