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Política

Famílias exigem respostas após ex-delegado admitir falhas no caso Orelha

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 10/10/2026
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Famílias exigem respostas após ex-delegado admitir falhas no caso Orelha
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Parentes dos adolescentes cobram esclarecimentos de Ulisses Gabriel depois do reconhecimento público de erros na divulgação das investigações. Eles seguem pedindo reparação jurídica pelos danos que dizem ter sofrido.

As famílias dos adolescentes investigados pela morte do cão Orelha em Florianópolis cobraram esclarecimentos de Ulisses Gabriel, ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, depois que ele reconheceu ter cometido erros na divulgação das investigações.

O reconhecimento de falhas na condução e na divulgação do caso ocorre enquanto os parentes continuam a reivindicar reparação jurídica pelos danos que dizem ter sofrido desde o início do processo investigatório.

“Ficamos perplexos não só com as afirmações em si, mas com o momento em que foram feitas”.

“É tardio reconhecer erros dessa magnitude após todo o estrago já ter sido feito nas nossas vidas.”

Em entrevista realizada na última quarta-feira, 7, Ulisses Gabriel admitiu que houve equívocos na forma como as informações foram divulgadas durante as apurações. Segundo ele, ocorreram condutas consideradas incorretas na divulgação dos fatos e uma coletiva de imprensa foi realizada quando não deveria.

“Ocorreram algumas conduções, para mim, incorretas da nossa parte com relação à divulgação dos fatos”, afirmou Ulisses Gabriel.

“Fizemos uma entrevista coletiva que deveríamos não ter feito, deveríamos ter esperado um pouco mais para esclarecer de forma melhor esse trabalho.”

As famílias questionaram o alcance e a clareza do reconhecimento de culpa, pedindo definição sobre o que foi exatamente classificado como “conduções incorretas”.

“O que o delegado efetivamente quis dizer com ‘conduções incorretas’?”

Segundo os parentes, a exposição precoce e desproporcional violou direitos fundamentais e resultou em consequências que consideram irreparáveis. Eles relataram prejuízos materiais e sociais: fechamento de lojas, perda de clientes, centenas de ameaças, necessidade de contratar segurança privada e constrangimentos em instituições de ensino e espaços públicos.

As famílias também informaram que dois integrantes precisaram viajar para realizar cirurgias em outras cidades, por orientação médica, para evitar possíveis problemas em Florianópolis. Elas citaram ainda a morte do empresário Tony Marcos de Souza, de 52 anos, tio de um dos adolescentes, ocorrida em 13 de abril, e lamentaram a reação de parte da internet à morte.

“Ficamos ainda mais abismados com a forma com que a morte do nosso querido Tony foi celebrada na internet, sem qualquer respeito ao luto da família e dos amigos.”

Questionadas sobre a possibilidade de processar o ex-delegado, as famílias não confirmaram ações judiciais específicas contra Ulisses Gabriel, mas defenderam a responsabilização de todos os envolvidos na exposição dos adolescentes e a reparação dos danos causados à honra e à imagem dos jovens.

A investigação da Polícia Civil de Santa Catarina sobre a morte do cão Orelha, encontrado ferido em janeiro na Praia Brava, teve grande repercussão e gerou divulgação de imagens e dados pessoais. Em maio, o Ministério Público pediu o arquivamento do caso por inconsistências e a Justiça determinou o arquivamento em 15 de maio. Em setembro, o Ministério Público requereu o pagamento de até R$ 795 mil por Ulisses Gabriel, ao apurar possíveis violações de sigilo funcional, abuso de autoridade e antecipação da culpa. Ulisses estava à frente da Polícia Civil durante o caso e foi eleito deputado estadual pelo PL-SC nas eleições deste ano.

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