Rony Gabriel (Podemos-RS) criticou a manifestação pró-Lula de 11/10 na Avenida Paulista, alvo de pichações e vandalismo. A campanha de Lula acionou a Corte Eleitoral contra ele e outros por supostos vídeos manipulados.
O deputado federal eleito Rony Gabriel (Podemos-RS) afirmou que a manifestação a favor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo, 11 de outubro, marcada por pichação, vandalismo e sujeira na Avenida Paulista, em São Paulo, deverá se voltar contra o próprio Lula e o PT na reta final do segundo turno das eleições.
A campanha de Lula acionou a Corte Eleitoral contra Rony Gabriel e outros envolvidos pela divulgação de vídeos que teriam sido manipulados sobre os fatos ocorridos na capital paulista. A ação inclui, segundo a peça apresentada, os deputados federais eleitos Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), o empresário Pablo Marçal e o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
O ministro Marco Aurélio Belizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu ao pedido da campanha e determinou a exclusão do vídeo das redes sociais. Em entrevista nesta terça-feira, 13, Rony Gabriel considerou a decisão da Justiça Eleitoral “ridícula” e disse confiar que ela será revertida no plenário da Corte.
“Dadas as circunstâncias em que o Brasil se encontra, já era esperado. Fiz um vídeo mostrando tudo o que aconteceu na Avenida Paulista. Tanto é real que, ontem, tivemos várias pessoas limpando a sujeira e a destruição que a esquerda fez no metrô de São Paulo.”
O deputado eleito afirmou também que a defesa está sendo preparada e que aguarda avaliação em plenário.
“Estamos produzindo a nossa defesa, que deve ser avaliada em plenário. Aguardamos que tenhamos uma decisão positiva para o nosso lado.”
Rony Gabriel voltou a criticar os manifestantes que tomaram a via e disse que o PT tenta ocultar a ação de vândalos.
“O PT quer esconder [os manifestantes] porque eles são vândalos.”
Em outras falas durante a entrevista, ele comparou os atos na Avenida Paulista a episódios anteriores envolvendo manifestantes condenados em 8 de janeiro de 2023 e comentou a atuação do Judiciário.
“A esquerda tentou vender senhorinhas com Bíblia debaixo do braço como se fossem terroristas. Isso aconteceu, veio a vingança contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, veio Alexandre de Moraes. E o povo que vota, que decide as eleições, percebe isso.”
Rony Gabriel afirmou que a internet dificulta a eliminação de imagens e defendeu punições mais rigorosas para os responsáveis pelos atos de vandalismo caso houvesse aplicação igualitária da lei.
“Um dos grandes problemas que temos hoje no Brasil não é a legislação. Se ela servisse para os dois lados, hoje nós teríamos punições severas para esses vândalos. Se tivéssemos um peso e uma medida, essas pessoas estariam sofrendo punições.”
O deputado eleito também defendeu mudanças no sistema de Justiça. Segundo ele, a próxima legislatura terá de fazer pressão por uma grande reforma do Poder Judiciário, com objetivo de reduzir a insegurança jurídica e alterar quem ocupa cargos em instâncias superiores, começando pelo Supremo Tribunal Federal.
“Nós teremos de exercer uma pressão também dentro da Câmara Federal para que quem julga não seja parcial. Um dos grandes problemas do Brasil hoje é a insegurança jurídica. Precisamos mudar quem julga, partindo lá de cima, do Supremo Tribunal Federal.”
Sobre o reflexo das manifestações na campanha, Rony Gabriel disse que o impacto será negativo para Lula e criticou promessas do governo e a situação econômica que, segundo ele, pesa no dia a dia das famílias brasileiras.
“O impacto, de modo geral, foi negativo para o próprio Lula. As pessoas lembram do que foi prometido em 2023. Elas estão indo ao mercado e não estão conseguindo sair com as compras do mês. O Brasil prometido da picanha não veio, muito pelo contrário. O Brasil se destruiu em dívida, nunca se viu tantos impostos e um ambiente tão hostil para se produzir no país. Este peso está nas costas da população.”

