Em reunião com parlamentares aliados, ele disse a Edinho Silva que houve falhas na coordenação e cobrou a própria equipe. Falou em tom bem-humorado ao reconhecer os problemas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, em encontro com parlamentares aliados que foram eleitos, que a sua campanha à reeleição não estava bem ordenada. Segundo ele, em conversa com o presidente do partido, Edinho Silva, esta foi a campanha menos organizada em que participou desde a primeira, em 1989.
O chefe do Executivo fez a avaliação diante de aliados e, segundo relatos da reunião, usou um tom bem-humorado ao reconhecer falhas na coordenação da campanha, mesmo após ter cobrado publicamente os organizadores.
“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”
Minutos depois da crítica pública aos organizadores, a transmissão da reunião que estava sendo feita no canal do partido no YouTube foi derrubada pelos moderadores. O vídeo foi restabelecido após 13 minutos.
O presidente também afirmou que “estranhou” não ter sido eleito já no primeiro turno nem ter terminado essa etapa à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na avaliação apresentada durante a reunião, ele disse que não conseguia enxergar como a vitória poderia escapar, pelas entregas realizadas durante o mandato, e lamentou que parte da sociedade não tenha percebido essas ações.
“Nesta eleição, eu não conseguia enxergar como não ganharíamos pelas entregas que fizemos. (…) Isso não foi suficiente para que uma parcela da sociedade entendesse o que fizemos”
Além da crítica à organização da campanha e da surpresa com o resultado do primeiro turno, o presidente cobrou unidade entre as forças progressistas. Na fala reproduzida no encontro, ele defendeu que, com amadurecimento e tempo, os partidos do campo progressista poderiam se unificar, criticando a manutenção de cargos como entrave a essa convergência.
“Haverá um dia em que a esquerda vai estar em um partido só. É uma questão de maturidade e de tempo. Muitas vezes, a gente não tem divergência programática, tem sustentabilidade de cargo de quem está e não quer sair”
O presidente se reúne com as novas bancadas de esquerda do Senado e da Câmara no Hotel Meliá, em Brasília.
