Psiquiatra e autor de best-sellers, Augusto Cury é filiado ao Avante e entra na corrida de 2026 como alternativa à polarização. Ele se apresenta como candidato de centro, distante da política tradicional.
O cenário político de 2026 trouxe uma novidade para eleitores que buscam alternativa à polarização tradicional. Com a ascensão de sua candidatura, a dúvida sobre se Augusto Cury é de direita ou de esquerda nas eleições tornou-se uma das principais buscas na internet. O psiquiatra e escritor de best-sellers, filiado ao Avante, apresenta-se como um nome de centro, alheio à carreira política tradicional. Sua entrada na disputa tenta capturar o eleitor cansado do embate constante entre os extremos partidários.
Para compreender o espectro político do presidenciável, é necessário ir além dos discursos de palanque e analisar suas propostas práticas de governo. Sem nunca ter ocupado um cargo público, o candidato utiliza sua vivência no mercado editorial e na área da saúde para fundamentar seu projeto. Ele foge da divisão clássica e aposta em um plano que mescla responsabilidade fiscal e políticas de acolhimento, com o objetivo de romper a barreira dos dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto.
No início do ano eleitoral de 2026, o autor passou a articular seu nome nos bastidores de Brasília, conversando com diversas lideranças antes de fechar sua filiação ao Avante. A legenda, que buscou apoio do partido Agir para formar a coligação nacional, viu no psiquiatra a oportunidade de lançar uma candidatura independente das alas ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao Partido Liberal (PL). Essa movimentação rápida garantiu uma vitrine nacional inesperada para o estreante na vida pública.
Um dos elementos centrais da narrativa do candidato é transformar a ausência de currículo público em um trunfo: a falta de vícios partidários seria, para seus apoiadores, sinônimo de renovação. Ao mesmo tempo, cientistas políticos alertam que governar o Brasil exige ampla capacidade de articulação e diálogo com o Congresso Nacional, uma habilidade que costuma se construir com experiência na esfera pública.
Na formulação de sua identidade política, o candidato repete com frequência uma imagem que tenta resumir seu projeto:
“mente capitalista e um coração social”
Nesse enquadramento, a “mente capitalista” aparece em propostas que defendem um Estado mais enxuto e eficiente, foco em meritocracia, fomento ao empreendedorismo e responsabilidade fiscal. Em sabatinas recentes, ele destacou a importância de reduzir burocracia e melhorar a gestão dos gastos públicos. Essas posições encontram interlocução com empresários e agentes do mercado financeiro.
Por outro lado, o “coração social” se traduz em ênfase inédita na saúde mental e propostas para a educação que incluem gestão da emoção nas salas de aula e proteção de estudantes vulneráveis. O plano de governo promete intervenções do Estado em áreas consideradas fundamentais para enfrentar violência, depressão e outras fragilidades sociais, sem enquadrar essas ações em linhas ideológicas tradicionais.
O xadrez eleitoral de 2026 inclui a tentativa de consolidar uma terceira via viável. A candidatura do Avante enfrenta a força eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no campo da esquerda, e do senador Flávio Bolsonaro, herdeiro do capital político da direita conservadora. Ao ultrapassar a barreira dos dez por cento nas pesquisas de intenção de voto logo após os primeiros debates na televisão, o candidato acendeu um alerta em comitês adversários.
Analistas apontam que o discurso de que os problemas do país ultrapassam as divisões ideológicas é comum entre independentes, mas que ele pode esconder inclinações liberais na economia e conservadoras nos costumes. A grande incógnita para a campanha é converter a mobilização digital e os milhões de seguidores do autor — que vendeu mais de quarenta milhões de livros no Brasil — em votos nas urnas eletrônicas.
