Em Belém, Lula disse que 'ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida' enquanto for presidente e pediu respeito às religiões de matriz africana. A fala ocorreu ao fim do ato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou na segunda-feira, 28, que “ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida” enquanto estiver na Presidência. A declaração foi dada durante um ato de campanha em Belém (PA).
“Enquanto for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive a religião de matriz africana. Ninguém é dono da verdade”.
Ao fim do evento, o ex-governador do Pará e candidato ao Senado Helder Barbalho (MDB) entregou ao presidente uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Lula ergueu a imagem diante do público presente no ato.
Embora ambas sejam representações da Virgem Maria, Nossa Senhora de Nazaré e Nossa Senhora Aparecida correspondem a devoções distintas. Nossa Senhora de Nazaré tem devoção especialmente forte no Pará e está ligada ao Círio de Nazaré, celebrado anualmente em Belém. Nossa Senhora Aparecida é reconhecida como Padroeira do Brasil.
A declaração de Lula ocorre em meio à circulação de uma informação falsa que associava o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil caso fosse eleito. Flávio negou que exista qualquer proposta nesse sentido.
A polêmica começou a partir de publicações que ligaram o nome de Flávio a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, mas o projeto foi arquivado e não é de autoria de Flávio Bolsonaro.
O episódio mistura devoção religiosa e disputa eleitoral, e traz à tona diferenças regionais de culto e simbolismos religiosos. Em Belém, a imagem de Nazaré tem forte conotação cultural e mobiliza tradicionalmente grande parte da população local durante as celebrações do Círio.
Na agenda política, a entrega de objetos de devoção em comícios e encontros de campanha costuma gerar repercussão imediata, seja por manifestações de apoio, seja por questionamentos sobre o uso de símbolos religiosos em eventos eleitorais. O episódio em Belém segue essa dinâmica, ao unir um gesto simbólico — a entrega e a exibição da imagem — com declarações públicas sobre respeito às religiões.

