George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom, compartilhou em 25/9 um post com informação falsa que dizia que Flávio Bolsonaro e o PL queriam tirar Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A mensagem orientava a divulgar a narrativa no interior do país.
O coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, George Marques, compartilhou no dia 25 de setembro um post que circulava com informação falsa sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). A mensagem afirmava que o PL e o senador apoiariam uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil — afirmação que não corresponde a projeto apresentado pelo parlamentar.
O conteúdo compartilhado dizia ainda que a narrativa deveria continuar sendo divulgada e atingir o interior do país. O texto, de autoria de Magdiel Alves, trazia um apelo explícito ao compartilhamento da informação.
“Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles [conservadores] fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Inclusive com ajuda de uma TV (Jovem Pan). Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte”.
Horas depois, o post foi apagado. Questionado sobre o compartilhamento, o coordenador da Secom declarou não se lembrar de ter dado retuite na mensagem e afirmou que poderia ter ocorrido por engano ao retuitar outros conteúdos em sequência.
“Não me lembro de ter dado RT nesse tuíte. Retuitei outras coisas em sequência e, se esse acabou entrando no meio, foi por engano.”
Marques também disse não concordar com a opinião do autor do tuíte e negou que a afirmação representasse sua posição. Em outra fala, afirmou que, se houve compartilhamento, foi involuntário e descreveu seu perfil na rede social como pessoal, de política e humor.
“Não penso isso e essa afirmação não representa minha posição. Se houve o compartilhamento, foi um erro involuntário.”
Ao mesmo tempo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de publicações em diversas plataformas que divulgavam a versão segundo a qual o senador ou sua família teriam a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O ministro André Mendonça considerou a alegação
“notoriamente inverídica”.
A circulação da notícia falsa retomou menção ao Projeto de Lei 2.623 de 2007, apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT), que propunha mudar a expressão para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A Comissão de Educação e Cultura da Câmara rejeitou o texto em 2008, e o projeto foi arquivado em agosto daquele ano.
Em vídeo publicado na rede social X, Flávio Bolsonaro negou qualquer intenção de alterar o título de Nossa Senhora Aparecida, afirmou respeitar todas as crenças e atribuiu a circulação da história a adversários políticos.
“Respeito todas as religiões e quem não tem religião.”
Segundo informações apresentadas pela defesa do senador ao TSE, um levantamento identificou cerca de 2 mil publicações de 1,6 mil contas sobre o assunto, que somaram mais de 21 milhões de visualizações, cerca de 1,5 milhão de curtidas e mais de 300 mil compartilhamentos.
