Betano, Novibet, Superbet e outras casas notificaram Globo, Band e RedeTV! sobre risco de rescindir anúncios e patrocínios se o governo endurecer regras ou proibir apostas. A medida já leva à revisão de espaços na TV.
Empresas de apostas notificaram emissoras como Globo, Band e RedeTV! sobre a possibilidade de rescindir contratos de publicidade caso o governo adote restrições mais duras ao setor ou decida proibir as casas de apostas no Brasil. A movimentação já começou a provocar revisão de espaços comerciais na TV aberta.
Entre as companhias que passaram a notificar parceiros estão Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte. Clubes da Série A do Campeonato Brasileiro também foram avisados sobre possíveis rescisões de patrocínios, segundo as comunicações internas enviadas pelo mercado de apostas.
As apostas figuram entre os principais anunciantes da TV aberta. Somente em agosto, o setor investiu R$ 153 milhões em comerciais e cotas de patrocínio, segundo levantamento de monitoramento do mercado publicitário. Diante da possibilidade de mudanças nas regras, as áreas comerciais das emissoras já buscam alternativas para substituir os espaços atualmente ocupados pelas casas de apostas.
Em decisões já tomadas, a Record decidiu não negociar com a Betano uma cota de patrocínio do reality A Fazenda. A Band, por sua vez, avalia contratos de naming rights do Jogo Aberto e de Os Donos da Bola enquanto observa a evolução do debate regulatório.
As empresas do setor afirmam que restrições mais duras podem inviabilizar parte do mercado regulado. Clubes de futebol também têm pressionado o governo para evitar limitações que afetem receitas de patrocínio.
“disposição pessoal”
O trecho acima foi utilizado por um presidente que tem defendido publicamente novas restrições às apostas. Na semana passada, esse presidente afirmou ter “disposição pessoal” para acabar com as bets e comparou os efeitos do vício em jogos aos provocados pelo crack.
O governo realizou reuniões para discutir o tema, mas ainda não anunciou quais medidas serão adotadas. Entre as possibilidades debatidas estão restrições à publicidade, proibição de cassinos on-line e reforço no combate a plataformas ilegais. Essas opções seguem em análise nas instâncias responsáveis pela formulação da política pública.
Em 2023, durante a regulamentação do mercado de apostas, uma emenda que buscava retirar os cassinos on-line do texto foi rejeitada. A lei que regulamentou as apostas de cota fixa foi sancionada pelo presidente no mês de dezembro daquele ano.
Com o risco de perdas comerciais e incerteza sobre o futuro legal do setor, emissores, clubes e anunciantes mantêm negociações em aberto e acompanham os desdobramentos das conversas entre o mercado e o governo. O desfecho das discussões terá impacto direto em contratos de mídia, patrocínios esportivos e na estratégia de investimentos publicitários do segmento.

