Xi Jinping chega aos EUA para visita de três dias e será recebido pessoalmente por Donald Trump na Base Andrews. Na quinta, terá cerimônia formal de honras de Estado na Casa Branca, com revista militar e execução dos hinos.
O presidente da China, Xi Jinping, chega aos Estados Unidos nesta quarta-feira (23) para uma visita de Estado de três dias e será recebido pessoalmente pelo presidente Donald Trump ainda na noite de hoje, na Base Conjunta Andrews, em Maryland.
Xi receberá uma recepção incomum no protocolo americano: Trump irá pessoalmente ao aeroporto para a recepção, algo raro nas práticas presidenciais dos EUA. Na quinta-feira, o líder chinês será recepcionado na Casa Branca com honras de Estado, em cerimônia formal que contará com presença de centenas de militares, revista militar, execução dos hinos nacionais e uma demonstração aérea com um bombardeiro B-2 Spirit e quatro caças F-22 Raptor. À noite haverá um jantar de Estado.
O tratamento dado a Xi chama atenção pelo contraste com a forma como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido em Washington, em maio. Lula teve uma agenda de trabalho mais discreta: reuniu-se com o presidente americano na Casa Branca, mas não houve recepção presidencial no aeroporto, cerimônia militar, demonstração aérea nem jantar de Estado.
Formalmente, as duas visitas têm classificações diferentes: Xi chega para uma visita de Estado, enquanto Lula esteve em Washington para uma reunião de trabalho. Essa distinção explica parte do protocolo, mas o contraste nas cerimônias permanece evidente e vem ganhando destaque nas análises sobre a postura americana.
O tema das relações bilaterais entre Estados Unidos e China vai além do simbolismo das honrarias. Trump e Xi terão na quinta-feira a principal rodada de conversas da viagem, com agenda concentrada em questões estratégicas e sensíveis: comércio e tarifas, com uma trégua comercial que expira em novembro; acesso de empresas americanas ao mercado chinês; e pedidos de Pequim para redução de restrições ao acesso chinês a tecnologias avançadas.
Minerais de terras raras estão entre os pontos centrais. A China tem posição dominante no processamento desses materiais, essenciais a setores como tecnologia, energia, veículos elétricos e defesa, e o tema aparece como carta de negociação nas conversas comerciais. Inteligência artificial e semicondutores também estarão no centro das discussões, em meio às restrições americanas sobre transferência de chips e tecnologias sensíveis.
Na apuração desta coluna sobre os assuntos preparados para as conversas desta semana com diversas fontes na capital americana, a situação de cidadãos americanos detidos na China também aparece entre os temas que Washington pretende levar à mesa. Pequim deve reafirmar suas posições sobre Taiwan, outra questão sensível, e haverá menções à situação do Irã, acompanhada nas negociações e nos entendimentos bilaterais.
Apesar da forte competição entre as duas potências, Trump e Xi vêm tentando manter canais de diálogo abertos. Esta será a segunda reunião entre os dois presidentes em poucos meses, em um momento em que Washington e Pequim buscam evitar que disputas comerciais, tecnológicas e geopolíticas escalem.
O jantar de Estado de quinta-feira deverá reunir nomes relevantes dos setores de tecnologia e finanças dos Estados Unidos. Xi permanecerá nos Estados Unidos até sexta-feira. Pela manhã, Trump e Melania voltarão a receber Xi e Peng Liyuan na Casa Branca para um encontro com chá no Red Room; depois os dois casais seguirão para o National Archives, onde verão documentos históricos sobre as relações entre os dois países. A despedida oficial do presidente chinês está prevista para acontecer no local.
