Câmeras de segurança registraram a fuga do escritório do ex-vereador por volta das 21h. Um homem ergue o portão às 21h17 e o grupo sai em um carro branco. Policiais fizeram buscas no imóvel.
Um vídeo gravado por câmeras de segurança mostrou a fuga de criminosos do escritório do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), na zona sul de São Paulo. Informações iniciais indicaram que os invasores entraram no imóvel por volta das 21h de domingo (20).
Nas imagens, um dos homens levanta o portão da garagem às 21h17. Em seguida, o restante do grupo deixa o escritório em um carro branco. O homem que abriu o portão entra no veículo pelo banco de trás e o grupo foge logo depois.
Após a invasão, policiais foram ao endereço e realizaram buscas no local. Documentos e um aparelho celular foram apreendidos para análise. Até o momento, nenhum suspeito foi localizado, segundo relatos.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores é que o HD que armazenava as imagens das câmeras de segurança foi levado pelos criminosos. A retirada do equipamento é considerada central para as apurações, porque pode conter registros do momento da entrada e da saída dos invasores.
Outro elemento que intriga a polícia é que mais de R$ 19 mil em espécie e cartões em nome de Milton Leite permaneceram no local e não foram levados pelos criminosos.
O ex-vereador estava preso após ter sido alvo de um mandado de prisão temporária durante a Operação Vectura Corrupta, investigação que apura uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Após permanecer por mais de 24 horas sem ser localizado, o ex-vereador se entregou à polícia na sexta-feira (18), em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. No sábado (19), passou por audiência de custódia, e a Justiça decidiu manter a prisão temporária. Relatos indicaram que não foram identificadas irregularidades no cumprimento do mandado.
O documento judicial que autorizou as medidas traz declarações de policiais militares segundo as quais o ex-vereador seria o “dono de fato” da Transwolff, empresa de ônibus já investigada em outra operação por suposta lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
“dono de fato”
A investigação da Operação Vectura Corrupta apurou suspeitas de que integrantes do PCC teriam ampliado a atuação no setor de transporte público de São Paulo. Ao todo, a Justiça autorizou 16 mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão.
A defesa de Milton Leite nega as acusações. A Transwolff também afirmou que o ex-vereador nunca teve participação societária na empresa, não integrou a gestão e não deu ordens no negócio.
Com a invasão do escritório, a Polícia Civil deverá analisar os documentos e o celular apreendidos, além de tentar recuperar informações que ajudem a identificar os responsáveis pelo crime e o motivo da ação. A recuperação dos dados do HD removido será um dos focos centrais para tentar esclarecer a dinâmica da entrada e saída dos suspeitos.
