Em ato em Montes Claros (MG), Lula afirmou que canetas emagrecedoras serão oferecidas pelo SUS a pacientes com obesidade. Não houve prazo; disse que entrega dependerá de protocolos e indicação médica.
Em ato de campanha nesta quinta em Montes Claros (MG), o presidente prometeu fornecer canetas emagrecedoras gratuitamente pelo SUS a pacientes com obesidade. Ele não indicou data para a medida nem esclareceu se a distribuição ocorreria ainda neste mandato ou em um eventual quarto mandato.
O anúncio veio acompanhado de ressalvas sobre critérios e avaliação médica. Ao apresentar a promessa, o presidente afirmou que a entrega dependeria de protocolos e de indicação dos profissionais de saúde.
“Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar, de graça, das pessoas que tenham obesidade, quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de se curar”
Na fala durante o ato, o presidente afirmou que a prescrição precisa permanecer nas mãos dos médicos e que o tratamento não pode se transformar em rotina sem avaliação. Ele afirmou que é preciso um acordo com a classe médica para evitar indicações indiscriminadas.
“É preciso ter um acordo com os médicos, porque não pode ficar receitando caneta à torto e à direito. Ou seja, nós temos que fazer uma diferença. Tem gente que, para emagrecer, é preciso reeducá-lo do ponto de vista alimentar. Precisa voltar a aprender a comer coisas que façam bem para a saúde. Segundo, fazer um pouco de exercício. Fazer um pouco de exercício.”
O presidente também criticou a distribuição sem critério e levantou o risco de uso eleitoral do medicamento, ao prever que a entrega descontrolada poderia virar peça de campanha.
“Os médicos também têm que contribuir, porque daqui a pouco vai ter gente distribuindo canetinha pra tudo, vai ter deputado tendo candidato jogando caneta pro povo. Isso é irresponsabilidade, porque a pessoa tem que saber se pode ou não tomar, se vai fazer bem pra saúde ou não. Se a pessoa for bacana andar jovem, saudável, vai andar, vai comprar pão a pé, vai namorar a pé, vai fazer tudo a pé. Não precisa ir de carro.”
Em 13 de março, o presidente já havia criticado o uso de Ozempic como um ‘presente’ para quem não muda a alimentação e a prática de exercícios, e condicionou a entrega do medicamento à necessidade clínica e ao acompanhamento médico.
“Essa questão é delicada. A gente não pode tirar do médico a obrigação do de orientar corretamente as pessoas. Primeiro: qualidade da comida. Nós somos obrigados a orientar as pessoas que elas têm de comer comida saudável. Você não pode dar de presente uma injeção para as pessoas emagrecerem se as pessoas querem comer quatro rabadas por dia, três feijoadas, comer um quilo de torresmo. Se o médico não orientar corretamente, nós vamos ter problema.”
“O remédio não é um prêmio para quem é relaxado. O remédio tem que ser dado para as pessoas que, por necessidade de saúde, não conseguem emagrecer. Mas o médico tem que dar a receita ensinando a andar. Por que as pessoas não andam meia hora todo dia? Por que não caminham? Por que não fazem ginástica? As pessoas têm que aprender a tirar a bunda da cadeira e andar um pouco.”
A promessa das canetas veio no mesmo dia em que o governo anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família. O piso do programa vai subir de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, e o benefício médio passará de R$ 675 para R$ 777. O Executivo informou que o reajuste terá custo de R$ 5,8 bilhões ainda neste ano, a contar da folha de outubro. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou haver espaço fiscal para a medida e projetou um custo de cerca de R$ 22 bilhões em 2027.
O anúncio das canetas e o pacote sobre o Bolsa Família colocaram o tema da política social e da saúde pública em destaque na agenda do governo e da campanha, com foco em como o acesso a tratamentos e benefícios será regulado e financiado.
