Até 15 de setembro, a cidade acumulou 253,8 mm — o maior volume para o mês desde 1943, superando o recorde de 243,1 mm de 1983. Municípios do Sul e Sudeste também registraram volumes muito acima da média.
Cidades do Sul e do Sudeste registraram volumes de chuva muito acima da média na primeira quinzena de setembro, com recordes históricos em municípios de São Paulo e acumulados superiores ao esperado para todo o mês em várias localidades. Na capital paulista, o volume chegou a 253,8 mm até a manhã de terça-feira, 15, o maior para setembro desde o início da série histórica, em 1943.
O acumulado superou em mais de 10 mm o recorde anterior, de 243,1 mm, registrado em 1983. A média esperada para todo o mês na capital é de 83,3 mm. Assim, em apenas 15 dias, São Paulo recebeu cerca de três vezes o volume normalmente previsto para setembro.
Cinco setembros mais chuvosos em São Paulo
- 1º — 2026: 253,8 mm
- 2º — 1983: 243,1 mm
- 3º — 1993: 206,7 mm
- 4º — 2015: 201,7 mm
- 5º — 2009: 192,2 mm
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o cenário de volumes elevados se repetiu em outras cidades paulistas. Iguape, no litoral sul do Estado, acumulou 331,2 mm nos primeiros 15 dias do mês, ultrapassando o recorde anterior para setembro, de 238,6 mm, registrado em 2019. Em Bragança Paulista, foram 273,8 mm, mais de duas vezes e meia o antigo recorde, de 105 mm, de 2022.
Acumulados por município (1ª quinzena)
- Iguape — 331,2 mm
- Bragança Paulista — 273,8 mm
- Registro — 242,6 mm
- Barra do Turvo — 248,2 mm
Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais indicaram volumes ainda maiores em alguns pontos: Bertioga acumulou cerca de 402 mm entre 1º e 15 de setembro; Guarujá, aproximadamente 379 mm; e Itaoca, no sul do Estado, cerca de 305 mm.
A chuva intensa também atingiu outras capitais. No Rio de Janeiro, a média dos pluviômetros do sistema Alerta Rio chegou a 137,3 mm. Um levantamento do Climatempo apontou que setembro de 2026 foi o quarto mais chuvoso dos últimos 29 anos na cidade. Em Belo Horizonte, foram registrados 79,1 mm até as 9h de terça-feira, posição que colocou o mês na nona colocação entre os setembros mais chuvosos desde 1961.
Acumulados no Sul e Sudeste
- Curitiba — 243 mm
- Morretes — 315,2 mm
- Ventania — 281,4 mm
- Inácio Martins — 236,6 mm
Para o meteorologista César Soares, do Climatempo, a sequência de chuvas esteve relacionada principalmente às condições do Oceano Atlântico e ao avanço de frentes frias pelo Sul e Sudeste. Segundo ele, o fenômeno chamado Dipolo do Atlântico Sul, associado à variação da temperatura do oceano, contribuiu para a frequência das frentes frias.
“Muita gente vai botar culpa no El Niño, só que ele faz exatamente o contrário”.
“A variação de temperatura no oceano Atlântico incentiva o avanço de muitas frentes frias. Em menos de 15 dias, já tivemos quatro passando pela região costeira e trazendo instabilidade.”
Soares afirmou que atribuir o cenário ao El Niño seria inadequado e avaliou que a chuva continuaria em parte das regiões Sul e Sudeste até o fim do mês. Ele também comentou os efeitos da umidade elevada na rotina das pessoas.
“Se a umidade relativa do ar está muito alta, a gente não tem nada que faça com que a roupa seque, com que o solo seque, com que as paredes das casas sequem”.
O solo encharcado foi apontado como fator de risco para alagamentos e deslizamentos, sobretudo em áreas que receberam os maiores volumes. O prognóstico indicava continuidade de instabilidade em parte das duas regiões até o fim de setembro, com possibilidade de novos acumulados nos locais que já superaram recordes.



