Laudo mostra que o BRB seguiu comprando carteiras do Banco Master apesar de alertas sobre dados inconsistentes, falta de comprovação e risco de fraude. Em 22 operações, R$7,63 bi foram pagos antes de pareceres técnicos.
Um laudo da Polícia Federal aponta que o BRB continuou comprando carteiras de crédito do Banco Master mesmo depois de relatórios internos indicarem problemas, como falta de comprovação dos créditos, dados inconsistentes e risco de fraude. Segundo o documento, os alertas não frearam as novas operações entre as instituições.
O laudo identificou 22 operações, que somaram R$ 7,63 bilhões, nas quais o dinheiro foi pago antes da conclusão de pelo menos um dos pareceres técnicos previstos. Esse montante corresponde a 43,41% do total desembolsado nas compras de carteiras de varejo analisadas pela perícia.
Os problemas já tinham sido registrados também em relatórios internos do próprio BRB. Um desses relatórios, concluído em 4 de abril de 2025, apontou falhas na documentação, ausência de comprovação dos créditos e risco de fraude. Depois da elaboração desse documento, o banco ainda desembolsou R$ 5,23 bilhões. Desse total, R$ 2,19 bilhões foram pagos após o relatório final, concluído em maio.
A Polícia Federal encontrou ainda 25 aprovações de compras do Master que somaram R$ 17,5 bilhões. Em 21 delas, o valor aprovado foi exatamente de R$ 750 milhões — limite que permitia que a decisão permanecesse na Diretoria Colegiada do BRB. Acima desse teto, a operação deveria ser analisada pelo Conselho de Administração. Para a perícia, esse padrão permitiu que as compras fossem mantidas fora da instância superior de controle.
Os documentos que trazem essas conclusões vieram a público depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal mandou retirar o sigilo das investigações sobre o Banco Master e processos relacionados ao caso. O relator das apurações cumpriu a determinação, liberou o material e encaminhou cópias aos demais ministros.
A retirada do sigilo ocorreu em meio à crise aberta no Supremo após relatórios da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro atingirem integrantes da Corte. O relator chegou a afastar o diretor-geral da Polícia Federal e o diretor de Inteligência. Em seguida, houve determinação para a volta dos dois aos cargos, e o presidente do Supremo suspendeu essas decisões, concentrou na Presidência do tribunal a análise dos processos e convocou o plenário para discutir o caso no dia 15.
Os dados do laudo — valores, datas de relatórios e o padrão de aprovações — constam nos documentos liberados pela autoridade responsável pela relatoria do caso no Supremo. As conclusões da perícia e os movimentos institucionais no tribunal mantiveram o tema em destaque no cenário das investigações sobre operações envolvendo o Master e o BRB.
