O presidente defendeu divulgação integral das investigações do Caso Master, sem exceções, e pediu transparência. Ele criticou vazamentos parciais e disse que o país precisa conhecer a verdade sobre o caso.
O presidente Lula (PT) defendeu, nesta quarta-feira (9), a quebra do sigilo das investigações de todos os envolvidos no Caso Master. Em postagem pública, o candidato à reeleição pediu transparência e criticou a divulgação parcial de informações relacionadas ao episódio.
Segundo a mensagem, a medida deve ser ampla, sem exceções, para que o país conheça os fatos e alcance a verdade sobre o que é classificado como o maior crime financeiro da história do Brasil.
“É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no Caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”
“Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral. A divulgação da verdade, como aconteceu na Operação Spoofing [investigação que revelou mensagens trocadas entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato], conduzida pelo então ministro Lewandowski, é um exemplo a ser seguido”
“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário. Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que…”
Na mesma data, o Supremo Tribunal Federal viveu um novo capítulo da crise institucional em torno do episódio. O ministro Flávio Dino determinou, nesta quarta-feira (9), a reintegração imediata de Andrei Rodrigues nos cargos de delegado e diretor-geral da Polícia Federal. A decisão também restabeleceu Leandro Almada da Costa nas funções de delegado e diretor de Inteligência Policial da corporação. Ambos haviam sido afastados por ordem do ministro André Mendonça.
Na fundamentação de sua decisão, o ministro Flávio Dino avaliou que o Partido Novo não tinha legitimidade para solicitar o afastamento dos integrantes da Polícia Federal no âmbito daquela investigação criminal. Ele citou o Código de Processo Penal para explicar que medidas cautelares podem ser decretadas a pedido das partes ou, durante a investigação, mediante representação da autoridade policial ou requerimento do Ministério Público.
“O Estado Democrático de Direito não é o regime em que um, alguns ou mesmo a maioria podem impor seus apetites ou vontades, segundo o seu próprio tempo”
André Mendonça havia apontado suspeitas sobre a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência da Polícia Federal, citando documentos que teriam monitorado o próprio Mendonça e o advogado‑geral da União, Jorge Messias. As medidas tomadas por Mendonça motivaram o confronto institucional entre ministros do STF e geraram o retorno dos delegados às suas funções pela decisão de Dino.
O caso segue em destaque no debate público e político, com pedidos por mais esclarecimentos e ações que mostrem o andamento das apurações. As decisões no Supremo e as cobranças por transparência nas investigações mantêm a questão em evidência no cenário nacional.
