Levantamento com 29 dos 30 partidos cruzou cinco indicadores — votações, frentes, migrações, coligações e doações — para mapear o espectro político. O resultado confirma o Novo na ponta direita e o PSTU na ponta esquerda.
Uma atualização de levantamento sobre o posicionamento das legendas brasileiras indica que o Novo segue como o partido mais à direita, enquanto o PSTU permanece como o mais à esquerda. A análise avaliou 29 dos 30 partidos registrados e cruzou cinco indicadores para mapear o espectro político no país.
Foram considerados votações na Câmara dos Deputados, participação em frentes parlamentares, migrações partidárias, coligações eleitorais e doações de campanha. No total, o levantamento analisou 1.097 votações, 320 frentes parlamentares, 11,2 mil trocas de partido, 15,6 mil coligações e 1,1 milhão de doadores. O PCO foi a única legenda excluída por não atingir os critérios mínimos necessários para comparação.
A régua ideológica divide as siglas entre esquerda, centro e direita. Nesse mapeamento, PSOL e PT aparecem à esquerda, PL e Novo se posicionam à direita, e MDB e PSD ocupam o centro. Segundo a análise, a posição dos principais partidos apresenta pouca variação entre os cinco critérios usados.
Nas votações da Câmara, consideradas entre janeiro de 2023 e julho de 2026, o PT surge como a legenda mais à esquerda. O estudo avaliou 565 deputados que estiveram presentes em ao menos 10% das sessões analisadas e constatou que 91,5% dos votos seguiram a orientação do líder partidário.
Individualmente, a parlamentar apontada como mais à direita foi Julia Zanatta (PL-SC), seguida por Gustavo Gayer (PL-GO). Na outra ponta, aparecem Padre João (PT-MG) e Lenir de Assis (PT-PR) como as parlamentares mais à esquerda no recorte das votações.
O levantamento também identificou diferenças nas alianças eleitorais. PT e PL praticamente não formaram chapas conjuntas no período analisado, enquanto Novo e PSOL não participaram de nenhuma coligação em conjunto. O PSTU registrou o maior isolamento: das 53 chapas em que participou, 52 foram compostas apenas pelo próprio partido.
As doações eleitorais reforçam a proximidade entre legendas ideologicamente semelhantes. Nas eleições de 2022 e 2024, PT e PL tiveram 440 doadores em comum, ante 2,6 mil que seriam esperados caso a distribuição ocorresse proporcionalmente ao tamanho das siglas. Por outro lado, PT e PSOL compartilharam 3,5 mil doadores, contra uma estimativa de 560.
A classificação final foi calculada a partir da posição de cada legenda nos cinco indicadores. O levantamento informa que não utiliza as categorias “extrema direita” e “extrema esquerda”, por considerar que esses rótulos envolveriam critérios relacionados ao uso ou à defesa da violência política, aspectos que não são medidos pela análise.

