O deputado federal André Janones (Rede-MG) publicou um vídeo simulando uma retratação ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e, horas depois, admitiu que a gravação fazia parte de uma encenação. A publicação foi divulgada na noite de sábado, 5, e continuou a repercutir no domingo, 6.
No vídeo inicial, Janones aparecia lendo um texto em tom formal, como se cumprisse uma decisão judicial, e afirmava que teria publicado informações incorretas sobre Nikolas. Durante a encenação, ele citou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“O banqueiro Daniel Vorcaro não tinha o contato de Nikolas Ferreira e Nikolas Ferreira não solicitou que o banqueiro Daniel Vorcaro interviesse em um negócio”.
A publicação levou usuários das redes sociais a interpretarem o material como um direito de resposta ou uma retratação determinada pela Justiça. Janones manteve a encenação em novas postagens no domingo, repercutindo o vídeo em diferentes plataformas.
Horas depois, por volta das 16h50, o parlamentar revelou que a suposta retratação não era verdadeira e mostrou que os papéis usados durante a gravação estavam em branco. Ao admitir a encenação, Janones fez uma autocrítica pública sobre a estratégia.
“Eu fiz o bolsonarismo de idiota mais uma vez, igual na eleição passada”.
Em seguida, Janones justificou a manobra como uma tática calculada para aproveitar a força do adversário e anunciou que a ação fazia parte de um plano de ofensiva política até as eleições.
“É só um aperitivo do que eu vou fazer até o dia 4 de outubro”.
Nos dias anteriores, Janones havia defendido publicamente uma atuação mais agressiva de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, citando a necessidade de disputar a narrativa política nas plataformas digitais. Em declarações públicas, ele usou a expressão
“sem nojinho”.
O parlamentar também demonstrou preocupação com o crescimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em pesquisas e defendeu maior mobilização dos apoiadores do presidente Lula. Em outras publicações, Janones afirmou estar disposto a medidas extremas na defesa da reeleição do presidente, chegando a usar a expressão
“matar ou morrer”
A sequência de postagens e a confissão da encenação reacendem o debate sobre estratégias de comunicação e limites entre encenação e informações factuais durante o período pré-eleitoral. A produção do material, a reação nas redes e as afirmações seguintes prometem alimentar a agenda política até outubro.

