O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o prejuízo de R$ 5,5 bilhões registrado pelos Correios no primeiro semestre de 2026 não pode ser interpretado simplesmente como prejuízo operacional da empresa. Durigan, que assumiu a pasta em março com a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo, fez a declaração durante um debate com coordenadores econômicos das campanhas presidenciais realizado na terça-feira, 1º.
As declarações do ministro provocaram reação entre os demais participantes do debate. Também estiveram no programa a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora de economia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), e o ex-deputado federal Roberto Brant, coordenador do plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD).
Os resultados financeiros dos Correios relativos ao segundo trimestre foram divulgados no sábado, 29. Nos seis primeiros meses de 2026, a estatal registrou prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões, contra R$ 4,26 bilhões no mesmo período do ano anterior. No segundo trimestre deste ano, o prejuízo foi de R$ 2,4 bilhões. Foi o 16º trimestre consecutivo de resultados no vermelho.
Ao comentar os números, Durigan buscou diferenciar conceitos contábeis e afirmou que o que vem sendo chamado de déficit não equivale necessariamente a um prejuízo no sentido tradicional de uma empresa.
“Esse resultado que estamos chamando de déficit não podemos confundir com prejuízo ou lucro da empresa. Se a empresa faz investimento, isso é considerado déficit na contabilidade pública.”
A reação veio em seguida. Daniella Marques classificou as declarações do ministro como um ataque à sociedade e relacionou o desempenho da estatal a decisões tomadas em mandatos anteriores, mencionando iniciativas de privatização e aportes de recursos.
“Um tapa na cara.”
“No governo do presidente [Jair] Bolsonaro, mandamos um projeto de privatização dos Correios para a Câmara. Com a pandemia, registramos lucro em todas as estatais. Depois, foram necessários R$ 5 bilhões, mais R$ 5 bilhões e agora R$ 6 bilhões de aportes.”
“Se eu entregar os Correios por R$ 1, você leva R$ 9 bilhões em dívidas. Eles não são mais vendáveis.”
Durigan, por sua vez, relacionou a crise dos Correios à inclusão da empresa no Programa Nacional de Desestatização (PND) e à perda de capacidade de investimento que teria se seguido.
“Esse problema começa quando os Correios foram colocados no PND. Isso impedia que a empresa fizesse investimentos. Veio a pandemia, todas as empresas de logística se modernizaram para atender a essa demanda, e os Correios ficaram para trás.”
“Hoje estamos fazendo um trabalho com os Correios e, de fato, não é algo que a gente tenha alegria em fazer. Colocamos R$ 6 bilhões para que os Correios possam se modernizar.”
“Estamos recuperando os Correios sem nenhuma dificuldade para discutir quais parcerias com a iniciativa privada os Correios precisam fazer.”
O debate expôs divergências sobre as causas do rombo e sobre medidas adotadas ou necessárias para a reestruturação da estatal, com ênfase em aportes públicos e parcerias com a iniciativa privada como respostas apresentadas pelo governo.
