Círculo político de Donald Trump contratou McLaughlin & Associates para medir como pressão ou sanções contra Alexandre de Moraes poderiam influenciar a eleição presidencial no Brasil. Cerca de 2 mil eleitores foram ouvidos; resultados não foram divulgados.
Aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encomendaram uma pesquisa no Brasil para avaliar como uma intensificação da pressão de Washington sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia repercutir na eleição presidencial brasileira.
Uma fonte que teve acesso ao documento informou que o levantamento foi conduzido pelo instituto norte-americano McLaughlin & Associates, que já atuou junto ao círculo político do presidente americano. Cerca de 2 mil brasileiros foram ouvidos nesta nova rodada.
Os números desta pesquisa não foram divulgados publicamente. Segundo a fonte, os dados foram produzidos para circulação restrita e devem servir de subsídio para avaliações políticas nos Estados Unidos sobre o cenário brasileiro.
Um dos pontos centrais do estudo foi medir o impacto que uma eventual retomada ou ampliação de sanções contra Alexandre de Moraes e outras autoridades brasileiras poderia causar na disputa pelo Palácio do Planalto. Em linhas gerais, a sondagem buscou identificar como o eleitor brasileiro reagiria a um aumento da pressão americana sobre integrantes do STF e, em especial, se esse movimento alteraria as intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Entre as hipóteses testadas pelos responsáveis pela pesquisa estava a possibilidade de que uma postura mais dura do governo dos EUA beneficiasse eleitoralmente Flávio Bolsonaro ao mobilizar eleitores críticos ao STF. Outra hipótese considerada foi a inversa: que a escalada de pressão externa fosse interpretada por parte do eleitorado como interferência dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil, o que poderia favorecer Lula.
O levantamento foi realizado em um momento em que Alexandre de Moraes voltou a ocupar posição central nas discussões entre integrantes da direita brasileira e aliados políticos de Trump nos Estados Unidos. A possibilidade de novas medidas norte-americanas contra o ministro voltou ao debate, incluindo menções à Lei Magnitsky e a eventuais sanções contra outras autoridades brasileiras.
Não é a primeira vez que o McLaughlin & Associates faz sondagens sobre o Brasil. Em junho de 2026, o instituto realizou uma pesquisa na qual Lula aparecia com 40% das intenções de voto em cenário de primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 32%. Em um eventual segundo turno entre os dois houve empate numérico, com 45% para cada. Naquela rodada, 72% dos entrevistados se disseram favoráveis ao impeachment de ministros do STF caso fosse comprovado o cometimento de crime ou má conduta. Essa pesquisa não havia sido registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os responsáveis pela nova sondagem procuram dimensionar o chamado “efeito Moraes” antes de qualquer eventual nova movimentação diplomática ou restrição. Até o momento, não há divulgação de percentuais de intenção de voto nem indicação pública de qual seria, de fato, o impacto eleitoral de possíveis sanções contra Alexandre de Moraes ou outros integrantes do Supremo.
