Candidato do MDB, número 1500, diz que presença de Geddel desgasta o governador, trava o crescimento nas pesquisas e pode tornar a derrota inevitável
O clima esquentou dentro da base governista.
O candidato a deputado federal pelo MDB, Doutor Cruz (1500), fez um duro alerta ao governador Jerônimo Rodrigues e colocou o dedo em uma ferida que, segundo ele, precisa ser enfrentada imediatamente: a presença de Geddel Vieira Lima nos palanques eleitorais.
Para Cruz, Jerônimo não consegue decolar nas pesquisas e enfrenta dificuldades para transformar a candidatura em uma onda popular. Na avaliação do candidato, a exposição de Geddel ao lado do governador contribui diretamente para esse desgaste.
“Se Geddel continuar subindo no palanque, a derrota de Jerônimo poderá se tornar inevitável. O governador precisa decidir se quer carregar esse peso durante toda a eleição ou se quer construir uma campanha capaz de dialogar com a população”, dispara Doutor Cruz.
Defende Geddel, mas quer o ex-ministro longe do palanque
Apesar do confronto político, Cruz faz uma distinção: ele afirma que não está atacando Geddel pessoalmente.
Pelo contrário. O candidato sai em defesa do ex-ministro quando o assunto é o episódio dos R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador.
Geddel foi condenado pelo STF no caso, e posteriormente houve decisão relacionada à sua liberdade condicional. Para Doutor Cruz, entretanto, o episódio não pode ser utilizado indefinidamente como arma de campanha política.
“Geddel respondeu à Justiça. O processo judicial tem que ser respeitado. Não aceito que transformem eternamente esse episódio em instrumento de perseguição política. Quem fizer acusações que ultrapassem os limites da crítica e daquilo que foi decidido pela Justiça deve responder judicialmente”, afirma.
Mas a defesa não significa apoio à estratégia eleitoral. Cruz é categórico:
“Eu defendo Geddel contra ataques que considero indevidos, mas isso não significa que eu queira Geddel no palanque de Jerônimo. Uma coisa é apoiar. Outra coisa é subir no palanque, aparecer ao lado do governador e assumir protagonismo em uma campanha que precisa conquistar votos.”
“Não é contra o MDB. É contra essa estratégia”
Doutor Cruz também faz questão de afastar qualquer interpretação de que suas declarações sejam um ataque ao MDB.
“Eu sou MDB. Sou candidato a deputado federal pelo MDB, número 1500. Minha crítica não é ao partido. Minha crítica é à presença de Geddel no palanque de Jerônimo e ao efeito político que isso pode produzir para a candidatura do governador”, afirma.
Na avaliação de Cruz, Jerônimo precisa decidir se pretende fazer uma campanha voltada para o futuro ou permanecer preso às controvérsias do passado.
“Jerônimo não pode ficar refém de ninguém. Nem de Geddel, nem de qualquer outra liderança. O governador precisa ter autonomia para construir sua própria imagem. Se Geddel quer apoiar, que apoie. Mas, na minha opinião, deve sair do palanque”, dispara.
Alerta direto ao governador
Para Doutor Cruz, o sinal amarelo já está aceso.
Segundo ele, se a estratégia não mudar e Geddel continuar ocupando espaço nos palanques, o desgaste poderá aumentar justamente no momento em que Jerônimo precisa crescer eleitoralmente.
“O governador precisa olhar para as pesquisas, olhar para as ruas e perceber o que está acontecendo. Ele não está decolando. A adesão popular não está acontecendo como deveria. E, se continuar insistindo em uma estratégia que não está funcionando, poderá pagar um preço muito alto nas urnas. Eu estou avisando antes da eleição”, conclui.
A mensagem de Doutor Cruz é direta: ele defende Geddel no campo jurídico e político contra o que considera ataques indevidos, mas quer o ex-ministro fora dos palanques de Jerônimo. Para o candidato do MDB, essa separação pode ser decisiva para o futuro eleitoral do governador.
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