Na quarta (26), a 4ª edição do Casa Agro em São Paulo reuniu profissionais para discutir comunicação do agronegócio e educação básica sobre o campo. O debate foi mediado por Diogo Luchiari.
A 4ª edição do Casa Agro debateu a necessidade de melhorar a comunicação do agronegócio e a educação de base sobre o campo na última quarta-feira, 26, em São Paulo. O encontro reuniu profissionais do setor e representantes de organizações que atuam na interface entre comunicação, educação e tecnologia aplicada ao campo.
O debate foi mediado pelo idealizador do Casa Agro, Diogo Luchiari, que também é sócio e vice‑presidente de operações e atendimento da Macfor, empresa que trabalha com marketing digital para o agronegócio. O evento foi realização da Associação de Desenvolvimento, Inovação e Mercado do Agronegócio (Adimag).
As conversas e trocas de experiência chegaram à conclusão de que o setor não deve terceirizar a sua imagem para pessoas desinformadas, mas sim contar sua própria história com dados, exemplos e resultados. O objetivo, segundo os participantes, é valorizar as conquistas nacionais e ampliar o conhecimento que está dentro das fazendas.
O jornalista Adalberto Piotto destacou a importância de o agro produzir informação com a mesma competência com que produz alimentos e tecnologia. Em suas intervenções, ele fez comparações entre a relevância do alimento brasileiro no mundo e a importância da inovação tecnológica em polos como o Vale do Silício.
“Hoje, 1 bilhão de pessoas comem porque o Brasil produz comida”
“Aí vem a incompetência: por que eu tenho que achar que o produtor brasileiro depende da China e não a China que depende do produtor brasileiro? Quem no mundo hoje tem excedente de 800 milhões de pessoas? Ninguém.”
Piotto também ressaltou que o setor tem muito material para trabalhar, mas precisa de atitude e coragem para desconstruir narrativas negativas que ainda circulam entre parte da população. Ele defendeu que a presença ativa na comunicação é necessária para que defensores do agro tenham argumentos e dados para rebater desinformação.
“Na comunicação, se você não entrar no embate, você vai perder. Se você não falar, aquele sujeito que quer te defender não vai ter argumento. Você precisa dar argumento para ele”
A presidente da Associação De Olho no Material Escolar, Letícia Jacintho, explicou que os desafios do setor vão além da comunicação: o conteúdo didático nas escolas, segundo ela, muitas vezes apresenta materiais enviesados que associam o agro apenas ao desmatamento e ao uso de produtos químicos.
“Chegou lá, colheitadeira automatizada e o operador de fone ouvindo a música dele no ar‑condicionado. Depois, chegamos em uma outra parte da usina com cem computadores administrando todos os tratores e máquinas num raio de 120 quilômetros. Eles falaram para mim: ‘Vim filmar o trabalho escravo e você me mostrou a Nasa’.”
Letícia contou que fundou a associação em 2021 para monitorar conteúdos escolares e intervir quando há informações desconectadas da realidade. Ela defendeu integração de políticas públicas e boa vontade do setor público para levar evidência aos livros didáticos.
“Conseguimos colocar na lei que materiais didáticos devem ter evidências científicas. Não pode tirar da reportagem que ninguém nunca achou aquela pessoa, fazenda, escravo. Tem que trazer fonte científica.”
Ao final, os debatedores reforçaram a necessidade de unir comunicação com educação para que o agronegócio mostre resultados, tecnologia e impacto social de forma clara e baseada em dados.


