Integrantes da campanha dizem que ampliar ênfase em segurança e responsabilidade fiscal pode conquistar eleitores indecisos. Meta é atingir ao menos metade desse grupo, segundo assessores.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem que o petista amplie o foco em segurança pública e em responsabilidade fiscal para tentar conquistar eleitores indecisos na disputa pela reeleição. A avaliação dentro da campanha é de que esses temas podem ajudar a avançar sobre um eleitorado que ainda não definiu o voto.
Segundo integrantes da campanha, a preocupação é atingir ao menos metade desse grupo de indecisos, algo que exigiria colocar em pauta temas que não são tradicionalmente associados ao partido. A pesquisa Quaest divulgada na última semana apontou que 10% dos eleitores ainda estavam indecisos no primeiro turno no cenário estimulado; na espontânea, esse percentual subia para 51%.
Uma das sugestões é que o presidente passe a falar mais sobre a PEC da Segurança Pública, em tramitação no Senado, que pode avançar na próxima semana. Para esses aliados, a proposta representa uma oportunidade para reforçar o discurso sobre o combate ao crime organizado e medidas voltadas à segurança pública.
Outro grupo dentro da campanha defende que o presidente amplie as falas sobre responsabilidade fiscal e compromisso com as contas públicas. A ideia, segundo esses integrantes, é que Lula destaque a redução do déficit público e apresente uma agenda econômica capaz de dialogar com eleitores que ainda demonstram resistência ao PT.
Há, no entanto, uma ala que prefere manter o tom social da campanha. Essa parcela avalia que o presidente deve resgatar as raízes do partido e evitar que temas de ajuste e cortes de gastos ocupem espaço excessivo no discurso eleitoral. Para esses aliados, a candidatura pode se sustentar com base nas entregas realizadas pelo governo nos últimos três anos e no contraponto com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O debate interno, conforme relatado por integrantes da campanha, mostra uma tentativa de conciliar a necessidade de ampliar o eleitorado — especialmente entre os indecisos apontados pelas pesquisas — com a preservação da base tradicional do partido. A definição sobre quais eixos ganharão mais espaço deve orientar os próximos passos da comunicação até o fim do ciclo eleitoral.
