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Política

Debates na TV sacodem a corrida ao governo de São Paulo

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 26/08/2026
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Debates na TV sacodem a corrida ao governo de São Paulo
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Em frente às câmeras, candidatos são testados em improviso, controle emocional e propostas concretas. No maior colégio eleitoral do país, o desempenho nos debates costuma virar termômetro para vitória e projeção nacional.

O debate televisivo é o momento de maior exposição do candidato durante uma campanha eleitoral. Longe do controle rígido das propagandas obrigatórias, os postulantes ao governo de São Paulo são colocados diante das câmeras para mostrar improviso, controle emocional e conhecimento prático sobre políticas públicas. No estado que concentra o maior eleitorado e é um motor econômico do país, o desempenho nesses encontros costuma influenciar tanto o resultado local quanto a projeção nacional de candidatos.

A tradição dos confrontos televisionados na redemocratização tem um marco bem definido: em 1982, quando o Brasil voltava a eleger governadores diretamente, a televisão reuniu nomes que marcariam as décadas seguintes. O encontro colocou frente a frente figuras como Luiz Inácio Lula da Silva, Franco Montoro, Jânio Quadros e Reynaldo de Barros. A flexibilidade de regras e uma mediação menos rígida permitiam um fluxo de ideias mais teatral e improvisado.

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Um dos episódios mais lembrados desse primeiro grande debate ocorreu quando Montoro tentou constranger Jânio citando críticas do antigo adversário Carlos Lacerda. Com retórica afiada, Jânio rebateu afirmando que o oponente tentava citar as Escrituras

“valendo-se de Asmodeu ou de Satanás”

e arrancou risos da plateia e do próprio Montoro. Esse episódio ajudou a consolidar o debate como espetáculo público, além de instrumento de prestação de contas.

Com o passar dos anos, o formato passou por profissionalização: tempo cronometrado, blocos curtos e treinamentos intensivos das assessorias. Hoje, muitos debates funcionam com uma organização milimétrica em que o marketing político dita o ritmo das falas. A espontaneidade deu lugar ao objetivo de produzir trechos para redes sociais ou para inserções do horário eleitoral, enquanto mediadores atuam como árbitros aplicando regulamentos aprovados pelas legendas.

Alguns confrontos acabaram tendo papel decisivo em eleições estaduais. No segundo turno de 1998, o embate entre Mário Covas e Paulo Maluf foi tenso: buscando virar o quadro nas pesquisas, Covas adotou tom mais agressivo contra o adversário e, em certo momento, afirmou ter procurado

“com lupa”

a presença de Maluf em uma foto histórica do comício das Diretas Já. A estratégia televisiva foi apontada como fator importante para a vitória nas semanas seguintes.

Vinte anos depois, em 2018, João Doria e Márcio França transformaram estúdios em arenas de ataque mútuo, com acusações sobre lealdade política e tentativas de vincular imagens a campos ideológicos opostos. Naquele ano, a desconstrução do adversário esteve no centro das táticas televisivas, refletindo também o clima de polarização nacional.

Quanto às regras que regem os encontros na TV, a legislação determina que emissoras devem convidar candidatos cujas legendas tenham representação mínima na Câmara dos Deputados. Atualmente, a exigência é de ao menos cinco parlamentares eleitos para a Câmara. Convidar representantes de siglas menores é facultativo e depende de acordo entre os participantes.

O direito de resposta, por sua vez, é aplicável apenas em situações de ofensa pessoal, calúnia, injúria ou difamação direta; críticas a programas de governo ou a gestões anteriores não se enquadram automaticamente. Quando um candidato se sente ofendido, ele deve solicitar a palavra ao mediador, e o pedido é avaliado em tempo real por um comitê indicado pela emissora. Se deferido, o tempo extra concedido costuma ser curto e inegociável, geralmente de cerca de um minuto, para a réplica.

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