Em julho de 2026 o Brasil importou US$66 mi em calçados contra US$62,4 mi exportados, diz Secex e Abicalçados; no acumulado jan-jul as importações somam US$373 mi. É a primeira vez desde 1997.
O Brasil enfrentou, em julho de 2026, um déficit na balança comercial de calçados, algo que não ocorria desde 1997. Neste mês, o país importou US$ 66 milhões em calçados, enquanto as exportações totalizaram US$ 62,4 milhões. Os dados foram revelados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Esse resultado representa uma transformação significativa para uma indústria que historicamente se destacou na exportação de seus produtos. Entre janeiro e julho deste ano, as importações de calçados atingiram US$ 373 milhões, refletindo um aumento de cerca de 10% em comparação com o mesmo período de 2025. Em contrapartida, as exportações sofreram uma queda de 18%.
A deterioração do saldo comercial se deve, em grande parte, à perda de mercados externos pelas empresas brasileiras, além do aumento da concorrência com produtos asiáticos. Países como China, Vietnã e Indonésia estão entre os principais competidores, oferecendo calçados a preços mais acessíveis.
Em julho, o Brasil exportou 6,28 milhões de pares de calçados, o que representa uma queda de 12,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As importações, por sua vez, chegaram a aproximadamente 4 milhões de pares.
O setor também enfrenta desafios no mercado norte-americano, um dos principais destinos dos calçados brasileiros. A imposição de tarifas sobre produtos nacionais tem reduzido a competitividade das exportações brasileiras nesse mercado.
A Abicalçados tem se posicionado a favor da adoção de medidas para conter o avanço das importações, incluindo a implementação de cotas. Essa situação é motivo de preocupação para os fabricantes, uma vez que a perda de mercado externo ocorre em um momento em que os produtos importados estão ganhando espaço no mercado brasileiro, o que pode impactar negativamente a produção, os empregos e os investimentos do setor.
