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Política

Brasil adota estratégia da OMS para eliminar câncer do colo do útero

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 10/08/2026
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Brasil adota estratégia da OMS para eliminar câncer do colo do útero
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OMS lança estratégia que une vacinação, rastreamento e tratamento para reduzir drasticamente o câncer do colo do útero. Especialistas esperam eliminar a doença em décadas, sobretudo onde há falta de acesso.

O câncer do colo do útero sempre foi uma das principais causas de adoecimento e morte por câncer entre mulheres, especialmente em países de baixa e média renda. Anualmente, centenas de milhares de novos casos são diagnosticados mundialmente, muitos entre aquelas que nunca tiveram acesso a vacinação, rastreamento ou tratamento adequado.

No entanto, a situação começa a mudar. A medicina, pela primeira vez, conta com ferramentas que podem reduzir drasticamente a incidência desse tipo de câncer. Com base nas evidências das últimas décadas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma estratégia global com o objetivo de eliminar o câncer do colo do útero como um problema de saúde pública.

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Eliminar, nesse contexto, não significa erradicar completamente a doença, mas sim reduzir a incidência a menos de quatro novos casos por 100 mil mulheres por ano, um patamar considerado suficientemente baixo para que o câncer não represente mais um importante problema de saúde pública.

A possibilidade de alcançar esse objetivo depende da combinação de três estratégias que atuam em diferentes etapas da prevenção: vacinação contra o HPV, rastreamento de qualidade e tratamento das lesões precursoras antes que elas evoluam para um câncer invasivo.

Praticamente todos os casos de câncer do colo do útero estão relacionados à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), um vírus comum, transmitido principalmente pelo contato sexual.

A maioria das pessoas entra em contato com o HPV em algum momento da vida. Na maior parte dos casos, o organismo elimina a infecção espontaneamente, sem causar sintomas ou problemas de saúde. O risco, no entanto, surge quando um dos tipos de HPV com potencial oncogênico permanece no organismo por vários anos, podendo provocar alterações nas células do colo do útero e, eventualmente, evoluir para lesões precursoras e, em uma pequena parcela das mulheres, para o câncer.

A vacina contra o HPV tem mostrado um papel transformador nesse cenário. Ela ajuda a impedir a infecção pelos principais tipos de HPV associados ao câncer, reduzindo significativamente o risco de surgimento das lesões precursoras. Esse benefício é ainda maior quando a vacina é aplicada antes do início da vida sexual.

O Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil oferece a vacina gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos. A vacinação dos meninos é importante, pois, além de protegê-los, reduz a circulação do vírus e fortalece a proteção coletiva.

Entretanto, a vacina não elimina a necessidade de rastreamento. Muitas mulheres adultas não tiveram acesso à vacinação na idade ideal, o que torna o rastreamento uma etapa essencial da prevenção. O objetivo do rastreamento é identificar a presença do vírus ou alterações celulares antes que o câncer se desenvolva. Quando uma lesão precursora é diagnosticada e tratada a tempo, é possível evitar a evolução para um tumor invasivo na maioria dos casos.

O Brasil tem avançado com uma mudança significativa nas diretrizes de rastreamento. Em 2025, as Diretrizes Brasileiras passaram a recomendar o teste molecular para detecção do DNA do HPV oncogênico como exame primário. Esse teste é mais sensível do que a citologia convencional, permitindo identificar diretamente os tipos de vírus associados ao maior risco de câncer.

A OMS também estabeleceu três metas para os países: vacinar 90% das meninas até os 15 anos, rastrear 70% das mulheres com testes de alta qualidade até os 35 anos e novamente até os 45 anos, e garantir tratamento adequado para 90% das mulheres com lesões precursoras e para 90% daquelas com câncer invasivo. Apesar dos avanços, ainda existem desafios, como a desinformação e dificuldades de acesso, que impedem muitos adolescentes de serem vacinados e fazem com que milhares de mulheres não realizem os exames preventivos.

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