Desde os anos 1970, tecidos sintéticos e produção em massa baratearam a moda, mas também reduziram a durabilidade. A obsolescência programada e processos industriais aceleram o desgaste das peças.
Se você já teve a sensação de que uma camiseta de hoje desbota após poucas lavagens, enquanto uma peça herdada continua intacta há décadas, saiba que isso não é apenas uma coincidência.
O primeiro passo dessa transformação ocorreu nos anos 1970, quando o poliéster e os tecidos sintéticos se tornaram populares. Esses materiais, mais baratos, resistentes e fáceis de produzir em larga escala, democratizaram o acesso à moda, mas também abriram espaço para uma produção mais precária e menos artesanal.
Na década seguinte, surgiu o conceito de obsolescência programada. Além disso, a obsolescência percebida ganhou destaque: as roupas não precisavam necessariamente se desgastar para serem descartadas; bastava parecerem ultrapassadas.
Os anos 1990 trouxeram uma aceleração ainda maior nesse processo, com a chegada da Zara ao varejo, que reduziu para cerca de quinze dias o intervalo entre a criação e a chegada de novas coleções às lojas. O tradicional calendário da moda passou a ser ditado em dias, em vez de meses.
Durante a pandemia, as empresas de ultra fast fashion, impulsionadas principalmente por empresas asiáticas e pelo comércio digital, começaram a lançar centenas de novos produtos diariamente. Hoje, um consumidor médio nos Estados Unidos compra cerca de 53 peças de roupa por ano, o que representa aproximadamente quatro vezes mais do que no início dos anos 2000. No Brasil, essa média é de cerca de 28 peças anuais, um aumento significativo em relação aos anos 1980, quando esse número girava em torno de oito.
O aumento nas compras resultou em maior produção, e a produção mais rápida frequentemente levou à diminuição da qualidade. Atualmente, a vida útil média de uma peça caiu para cerca de seis meses, e muitas roupas já nascem com um prazo de validade: tecidos mais finos, costuras simplificadas e acabamentos mais baratos são parte de um modelo de negócios que depende da recompra constante.
Contudo, nem todos os efeitos são negativos. Apesar do crescimento na velocidade do consumo, também tem aumentado o interesse por brechós, roupas vintage, peças de curadoria e marcas que apostam no slow fashion, refletindo uma busca por qualidade e sustentabilidade.

