O Brasil pediu nesta terça o retorno do embaixador argentino e reduziu a representação ao nível de Encarregados de Negócios. A medida foi tomada após ataques do presidente Javier Milei a Lula.
O governo argentino informou que, nesta terça-feira (4), o Brasil solicitou o retorno do embaixador argentino a Buenos Aires, em um contexto de crescente tensão diplomática provocada por declarações do presidente Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva.
A Chancelaria argentina publicou que o Executivo brasileiro decidiu também reduzir “o nível de representação diplomática bilateral ao de Encarregados de Negócios”. A situação se agrava após repetidos ataques de Milei, que se referiu a Lula como “ladrão” e “corrupto”.
Conforme o comunicado da Chancelaria argentina, o embaixador Guillermo Raimondi foi convocado na tarde de terça-feira pelo ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, que comunicou a decisão do Brasil. O governo argentino lamentou a decisão tomada unilateralmente e destacou que isso representa um isolamento político da região.
A Chancelaria ainda mencionou diversos episódios de declarações e apoios políticos cruzados entre dirigentes dos dois países, ressaltando que, no passado, optou por não transformar essas trocas em incidentes diplomáticos. “Nunca respondemos a uma divergência política com uma medida institucional”, enfatizou.
O conflito começou quando Milei participou, há dez dias, em São Paulo, da oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro, opositor de Lula nas eleições de outubro. Na ocasião, Milei acusou o governo brasileiro de “interferência política” contra a Argentina e fez insinuações ofensivas a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Em resposta, o Brasil convocou seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas devido às “ofensas proferidas” por Milei, além de chamar o embaixador argentino para solicitar explicações sobre as “agressões”. O chanceler argentino, Pablo Quirno, tentou mitigar a tensão, afirmando que, do ponto de vista argentino, “não existe absolutamente nenhuma possibilidade” de ruptura das relações diplomáticas.
No entanto, a situação se intensificou com Milei reforçando suas críticas a Lula em diversas entrevistas nos últimos dias. O anúncio da redução da representação brasileira em Buenos Aires marca uma nova escalada em um conflito que também tem como pano de fundo o período eleitoral em ambos os países.
Após retornar ao poder em 2023, Lula lançou sua campanha para um quarto e último mandato no último domingo. Enquanto isso, Milei, que assumiu a presidência em dezembro de 2023, começa a se posicionar para uma possível reeleição em outubro de 2027, alegando ser um defensor dos ideais da liberdade e justificando suas duras críticas aos governos de esquerda na América Latina.
