O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou as tarifas americanas de 25% como injustas e prometeu intensificar negociações. Ele também atacou quem chama de 'falsos patriotas'.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva reagiu fortemente à recomendação dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras, classificando essa medida como “injusta”, “descabida” e sem fundamento.
Em entrevista concedida nesta terça-feira, 2 de junho, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil irá intensificar as negociações para evitar que a proposta avance. Alckmin também fez críticas a quem chamou de “falsos patriotas” e “sabotadores”, que estariam priorizando interesses eleitorais em detrimento dos interesses nacionais.
Segundo Alckmin, a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ignora dados fundamentais sobre comércio, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento e tarifas praticadas por ambos os países. O vice-presidente também destacou que o sistema de pagamentos Pix está fora de qualquer negociação, classificando-o como um patrimônio nacional e símbolo da soberania financeira brasileira.
“O Pix é o maior símbolo da soberania financeira brasileira”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Entre os argumentos apresentados pelo governo brasileiro está o superávit comercial de US$ 40 bilhões obtido pelos Estados Unidos no comércio de bens e serviços com o Brasil. Alckmin ressaltou que oito dos dez produtos mais exportados pelos norte-americanos para o Brasil entram no país com tarifa zero.
Além disso, o governo contestou as críticas sobre propriedade intelectual, afirmando que empresas americanas detêm cerca de 30% das patentes registradas no Brasil. Na área ambiental, Alckmin destacou a redução superior a 50% do desmatamento na Amazônia e reafirmou a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030.
O ministro Durigan também criticou a família Bolsonaro, acusando-a de “atuar contra o sistema ao apoiar medidas defendidas por setores do governo norte-americano”. Ele reiterou que o Pix, por ser gratuito e democrático, tem servido de modelo para outros países e não será incluído nas negociações com os Estados Unidos.
Caso a recomendação do USTR seja implementada, cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderiam ser impactadas pelas novas tarifas. Os setores mais afetados incluiriam máquinas e equipamentos, plásticos, produtos de madeira, papel, calçados, ferro fundido e pescados. O governo planeja mobilizar empresas brasileiras e americanas instaladas no país para reforçar a defesa dos interesses nacionais durante o período de consulta pública, que termina em julho.

