A vinda do presidente argentino Javier Milei ao evento do PL gerou polêmica por um chefe de Estado apoiar presencialmente ato político estrangeiro. Ele criticará Alexandre de Moraes e o presidente Lula.
O presidente da Argentina, Javier Milei, estará no Brasil para participar da convenção do PL, evento que chamou a atenção pela presença de um chefe de Estado em um ato político de um candidato da oposição. Tradicionalmente, o apoio a candidaturas em outros países é manifestado por meio de declarações na imprensa ou postagens nas redes sociais, e não de forma presencial no território da disputa.
Milei não só estará presente no evento, como também fará críticas contundentes ao ministro Alexandre de Moraes e ao presidente Lula. A validade das críticas não está em questão; em uma democracia, a liberdade de expressão é um direito fundamental e nenhuma autoridade está isenta de ser questionada. Contudo, é importante ressaltar que a visita de um presidente a outro país para criticar líderes locais vai além do que se considera aceitável.
“Esse protocolo básico de relações internacionais não é frescura ou regra de etiqueta. É uma liturgia testada por gerações e que sobrevive por uma razão fundamental: as relações econômicas e geopolíticas entre países estão muito acima de interesses político-partidários”
As relações entre nações são duradouras, independentemente das mudanças de governo. Portanto, independentemente de quem seja o próximo presidente do Brasil, seja Lula ou Flávio Bolsonaro, Milei terá que gerenciar interesses significativos com o país, que vão desde as relações comerciais no Mercosul até questões sobre a usina de Itaipu.
Embora Milei não precise necessariamente apoiar ou elogiar Lula, é essencial que ele mantenha um mínimo de respeito e decoro, especialmente porque poderá ter que lidar com o atual presidente caso este seja reeleito. Ao contrário de um jornalista que critica a atuação de governantes, Milei é um chefe de Estado, cuja responsabilidade é defender os interesses do povo argentino. Isso inclui a manutenção de relações construtivas e práticas com o Brasil, independentemente da ideologia do governo brasileiro.
Assim como Lula foi criticado por rotular Donald Trump de “fascista” durante a campanha do candidato republicano, Milei comete um deslize ao participar da convenção do PL. Embora esteja fazendo um bom governo, é imprescindível que ele respeite a liturgia de seu cargo. A liturgia, afinal, não é frescura.
