Régis Arslanian diz que a ação do Brasil contra tarifas dos EUA na OMC terá pouco efeito prático. A consulta, formalizada em 27, enfrenta a perda de eficácia do sistema de solução de controvérsias.
O ex-diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, Régis Arslanian, manifestou sua opinião sobre a recente decisão do governo brasileiro de acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo ele, essa ação tende a ter pouco efeito prático.
Na segunda-feira, 27, o Brasil formalizou uma consulta à OMC para contestar as tarifas adicionais que os EUA aplicaram sobre produtos brasileiros. Essa iniciativa é parte do sistema de solução de controvérsias da entidade.
“O sistema perdeu eficácia e, por isso, reduziu sua capacidade de pressionar Washington”, afirmou Arslanian, destacando que em décadas passadas existia o recurso do multilateralismo.
O ex-diplomata ressaltou que, anteriormente, havia a possibilidade de pressionar os norte-americanos em fóruns internacionais. “Politicamente, a gente podia encostar os norte-americanos na parede, lá na delegação em Genebra”, explicou. Ele ressaltou que, na atualidade, essa dinâmica mudou.
Embora Arslanian considere que as tarifas norte-americanas violam as regras da OMC, ele expressou ceticismo quanto à eficácia de um recurso ao organismo. “A OMC não tem mais dentes, a OMC está paralisada”, disse. “O que adianta hoje em dia? Nada, não vai adiantar nada.”
Em sua análise, a diminuição da efetividade da OMC muda as opções disponíveis para o Brasil. “Ou a gente se acomoda a essa nova situação ou vamos perder um mercado importante e entrar numa relação hostil com os EUA”, avaliou.
Para Arslanian, em vez de se concentrar apenas na OMC, o Brasil deveria priorizar negociações diretas com os Estados Unidos. Apesar de já haver contatos entre autoridades brasileiras e norte-americanas, ele acredita que as novas dinâmicas do comércio internacional demandam uma abordagem diferente. “Está na hora de estarmos preparados para fazer concessões”, sugeriu.
O ex-diretor do Itamaraty enfatizou que o mercado norte-americano permanece estratégico para o Brasil. Portanto, ele recomenda que as negociações com Washington sejam conduzidas de maneira “pragmática e construtiva”.

