Em discurso na SBPC em Niterói, Cármen Lúcia defendeu a soberania e disse que decisões internas cabem aos brasileiros. Ela, ex-presidente do TSE, rejeitou intervenções estrangeiras.
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta segunda-feira, 27, que somente os brasileiros têm o poder de decidir o futuro do Brasil. A manifestação ocorreu durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Niterói, no Rio de Janeiro.
Cármen Lúcia, que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral até maio deste ano, ressaltou que nenhuma nação deve interferir nas decisões internas do Brasil. Essa afirmação vem em um momento de crescente tensão diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos, onde o governo norte-americano anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros.
“Somos nós que temos que falar o que é para nós, o Brasil que nós queremos,” disse a ministra.
No último sábado, 25, o governo brasileiro também negou vistos a dois observadores eleitorais dos EUA que desejavam acompanhar o processo eleitoral no país. A ministra, sem mencionar diretamente o presidente dos EUA, Donald Trump, enfatizou a importância de proteger a democracia brasileira contra interferências externas.
“Há que haver espaços como este […] para que ninguém queira também interferir e fragilizar a nossa democracia,” afirmou Cármen Lúcia.
Durante seu discurso na SBPC, Cármen Lúcia defendeu novamente o sistema eletrônico de votação, afirmando que os brasileiros escolhem seus representantes através de urnas que são “seguras, transparentes e auditáveis.”
“Antes era por um rei,” observou a ministra. “Hoje o povo, pela sua mão, diz o que quer. Aqui na democracia, a urna brasileira precisa só de um dedo na urna eletrônica confiável, transparente e auditável. Feita pelo Brasil e pelo povo,” completou.
O tema das urnas eletrônicas voltou ao debate público após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) insinuar que as urnas brasileiras compartilham a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, mencionando um relatório da CIA que alegaria a participação da empresa em fraudes nas eleições venezuelanas de 2012. Ao encerrar sua participação no evento, Cármen Lúcia reafirmou que a democracia depende da participação ativa da população e que é exclusivamente dos brasileiros a responsabilidade de definir os rumos políticos do país.
