O governo dos Estados Unidos deve anunciar ainda nesta quinta-feira (23) um novo pacote de tarifas sobre produtos importados. A medida visa substituir a alíquota temporária de 10%, que expira à meia-noite desta sexta-feira (24). As novas tarifas podem ter um impacto significativo sobre o Brasil, que já lida com tarifas de 25% sobre certos produtos exportados para o mercado americano.
A informação foi confirmada pela Casa Branca. Durante uma coletiva de imprensa, a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, mencionou que o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, fará um anúncio “muito em breve, ainda hoje”. No entanto, ela não forneceu detalhes específicos sobre quais medidas serão apresentadas nem a data de início de sua aplicação.
Essas novas tarifas fazem parte da estratégia do presidente para reestruturar sua política comercial, especialmente após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter invalidado, em fevereiro, uma série de tarifas globais impostas anteriormente. Como resposta, a Casa Branca implementou uma taxa temporária de 10% sobre as importações, válida por 150 dias, que se encerrará nesta sexta.
Desde a implementação dessa taxa, o governo americano tem conduzido investigações comerciais para estabelecer uma nova base legal que possibilite a manutenção ou o aumento da cobrança de tarifas sobre produtos estrangeiros. Uma das principais investigações já finalizadas abrange cerca de 60 economias que, segundo o governo, não adotam medidas suficientes para combater o trabalho forçado. As propostas sugerem tarifas de 10% para parte desses países e de 12,5% para mercados considerados prioritários.
O Brasil figura entre os países que estão sob investigação pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Em um relatório publicado em junho, o órgão concluiu que o Brasil, junto com outras 59 economias, não implementa medidas adequadas para impedir a importação de produtos fabricados por meio de trabalho forçado. Com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o governo americano propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando que a falta de fiscalização prejudica a concorrência e restringe o comércio dos Estados Unidos.
Esta é a segunda medida comercial anunciada pelo USTR contra o Brasil em um curto espaço de tempo. Um dia antes, o órgão havia finalizado outra investigação, também baseada na Seção 301, que apontou supostas irregularidades em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento ilegal e medidas anticorrupção.
Entre os países que podem ser afetados pela alíquota de 10% estão Canadá, México, Camboja e membros da União Europeia. Já China, Japão e Coreia do Sul estão na lista de países que podem ser sujeitos à tarifa de 12,5%. Este anúncio ocorre no mesmo dia em que os EUA ativaram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Além disso, na segunda-feira (20), o presidente anunciou tarifas de 50% sobre produtos canadenses e ameaçou implementar tarifas de até 100% sobre medicamentos genéricos produzidos fora dos Estados Unidos a partir de 2028, caso as empresas não realoquem sua produção para o país.
