Houthis do Iémen assumem ataque a dois petroleiros no Mar Vermelho. EUA somam 12 noites de bombardeios; Trump ameaça destruir pontes e usinas no Irã, que promete resposta.
Os rebeldes houthis do Iémen reivindicaram, nesta quarta-feira (22), a responsabilidade por ataques a dois navios petroleiros sauditas no Mar Vermelho, abrindo uma nova frente na crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irã. Essa declaração ocorre em meio a uma nova onda de bombardeios americanos, que já se estendem por doze noites consecutivas.
O presidente Donald Trump ameaçou, durante esta quarta-feira, destruir pontes e usinas de energia no Irã em resposta a quaisquer ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz. O Irã, por sua vez, advertiu que reagirá de forma contundente a essas ameaças. Essa escalada de hostilidades suscita preocupações sobre o fornecimento de petróleo e gás, especialmente devido ao bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz e ao cerco imposto aos portos da Arábia Saudita pelos houthis, que são aliados do Irã.
Com o bloqueio em vigor, os preços do petróleo têm aumentado, exercendo pressão sobre Trump para encontrar uma solução para o conflito antes das eleições legislativas de meio de mandato. Os houthis afirmaram, em um comunicado, que realizaram uma operação militar de grande impacto contra os petroleiros sauditas, identificando as embarcações como Encelia e Layla. O grupo controla o Estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem crucial para os navios que seguem em direção ao Canal de Suez, rota que leva à Europa.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO confirmou que um projétil atingiu um navio petroleiro no Mar Vermelho, ao largo da costa saudita. Trump, em uma de suas postagens, afirmou que os Estados Unidos retaliarão com bombardeios a cada ataque iraniano contra embarcações na região.
“Toda vez que a República Islâmica do Irã atacar uma embarcação no Estreito de Ormuz, os Estados Unidos bombardearão e destruirão uma ponte ou uma usina de energia”, escreveu Trump em sua rede social.
O ministro das Relações Exteriores do Irã respondeu que seu país retaliará caso suas infraestruturas civis sejam atacadas. A guerra, que já se aproxima de cinco meses, coincide com a aproximação das eleições de novembro nos Estados Unidos, aumentando a pressão sobre Trump para encerrar o conflito.
Os críticos têm apontado o alto custo da guerra, estimado em 37,5 bilhões de dólares. Trump minimizou as pesquisas de opinião, afirmando que, embora os americanos não queiram preços altos para a gasolina, não são contra a guerra.
Durante uma cerimônia para receber os restos mortais de quatro militares americanos mortos no conflito, Trump destacou a importância de impedir que o Irã obtenha armas nucleares, uma das justificativas que levaram ao início da guerra em 28 de fevereiro, por meio de bombardeios conjuntos dos EUA e de Israel.
O próximo alvo dos EUA pode ser um complexo subterrâneo em Kuhe Kolang-e Gaz La, perto de Natanz, onde se suspeita que o Irã esteja construindo uma instalação de enriquecimento de urânio. O comando militar iraniano já advertiu que consideraria qualquer ataque a esse local como uma expansão da guerra.
Além disso, o exército do Kuwait informou que suas defesas antiaéreas têm interceptado drones vindos do Irã, enquanto a Jordânia relatou ter derrubado mísseis iranianos. Sirenes de alerta também foram acionadas em Bahrein, onde explosões foram ouvidas. O Exército iraniano declarou que atacou alvos americanos em várias localidades, incluindo o Kuwait e o Bahrein.
